Se em 2009 alguém vindo do futuro afirmasse para qualquer um de nós que um smartphone iria custar R$ 5.000 (ou mais), a resposta de qualquer pessoa seria uma gargalhada em sua cara. Agora, muitos de nós estão chorando porque um desejado dispositivo top de linha superou essa marca, e de longe.

Bom, na teoria, se estão cobrando esses valores, é porque tem alguém pagando, certo? Pois não é o que parece: uma recente pesquisa do USA Today indica que apenas 3% dos usuários parecem dispostos a pagar mais de US$ 1.000 em um smartphone. Por outro lado, tal porcentagem não se encaixa no volume de vendas da Apple, por exemplo.

O estudo foi realizado pela Survey Monkey, onde mais de 1.300 pessoas nos Estados Unidos definiram a margem de preço que estão dispostas a investir em um novo smartphone.

Poucas pessoas estão dispostas a pagar US$ 1.000 em um smartphone, mas 16% pagariam entre US$ 750 e US$ 1.000, algo que se encaixa mais com a realidade atual do mercado. A maioria das pessoas não está interessada nos modelos top de linha com mais de US$ 750 (8 em cada 10 pessoas), o que deixa os fabricantes na luta por um nicho de mercado escasso.

 

 

A Apple aproveita a sua exclusividade para aumentar os preços dos seus smartphones, e os demais fabricantes oferecem modelos com diferentes preços, todos os focos possíveis e o interesse em centrar esforços nos dispositivos mais caros.

Hoje em dia um smartphone top custar mais de US$ 1.000 é algo ‘normal’. Por outro lado, eu ainda acho uma aberração o Samsung Galaxy S10+ com acabamento de cerâmica, 1 TB de armazenamento e 12 GB de RAM custar 1.699 euros. Sem falar no Samsung Galaxy Fold, que é o smartphone mais caro do mercado desde 1996 (custando US$ 1.980).

O grande problema aqui é que os tais 3% que a pesquisa indica parece não ser um número realista, especialmente quando olhamos para os resultados da Apple. A Garnter indicou que a empresa vendeu mais de 64 milhões de smartphones em todo o planeta no quarto trimestre de 2018. Esse número é quase 16% do total das vendas, e considerando que esta é a empresa com os preços mais altos, a pesquisa não revela toda a verdade, e aponta para duas possíveis conclusões.

1) Os números da pesquisa valem para a Apple. Os 16% de iPhones se encaixa nos 19% dos usuários que pagariam a partir de US$ 750 em um smartphone, e os demais fabricantes só vendem telefones abaixo dessa margem de preço.

2) Os entrevistados mentiram, e há mais usuários que gastariam mais de US$ 750 em um smartphone. Algo que soa razoável: a Apple vende menos, mas as pessoas pagam mais.

Pode ate ser que tem pouca gente que compra um smartphone que custa mais de US$ 750, mas levando em conta apenas os números da Apple, aprece que o que a pesquisa diz e o que o mercado mostra são coisas bem diferentes.

 

Via USA Today, SurveyMonkey