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A Motorola entendeu: “o premium importa”

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Apple, sua maldita

A consolidação dos smartphones premium deixou de ser tendência passageira e passou a definir o novo padrão do mercado global, impulsionado por avanços em IA, telas dobráveis e novas tecnologias de bateria.

Neste contexto, a Motorola surge como uma das fabricantes mais dispostas a arriscar para se diferenciar, mesmo que isso implique decisões controversas como, por exemplo, se aventurar a nadar em mares dominados hoje por tubarões como Samsung e Apple.

Acontece que todas as demais fabricantes se jogaram no mar e decidiram arriscar brincar com os tubarões. A Motorola não está sozinha nessa, pois vários fabricantes asiáticos fizeram o mesmo movimento.

Logo, tudo o que a Motorola está fazendo aqui é simplesmente “seguir o fluxo da galera”.

 

O preço da inovação

Nos últimos cinco anos, o setor de telefonia móvel avançou de forma desigual, e tudo aconteceu diante dos nossos olhos, de forma até pouco discreta.

Os fabricantes chineses priorizaram a adoção rápida das tecnologias mais recentes, como foi o caso das baterias de silício-carbono, que carregam muito mais rápido e entregam autonomia monstro para telefones ultrafinos.

Enquanto isso, as marcas ocidentais acompanhadas da Samsung, seguiram caminhos mais conservadores, apostando nas ultrapassadas baterias de lítio. Durante muito tempo, tentei entender (sem sucesso) por que essas gigantes estavam fazendo isso.

Não sabia se era medo, se era problemas legais ou pura preguiça para manter os usuários em algum tipo de obsolescência. E depois de tanto pensar, desencanei e fui fazer algo mais leve da minha vida, como assistir a um episódio de Black Mirror.

A Motorola está tentando entregar o melhor de dois mundos: tenta manter a sua identidade histórica nos smartphones enquanto dá uma guinada decisiva para o mercado premium.

 

Por que o Razr Fold existe

A Motorola deixou bem claro na CES 2026 toda a sua ambição em competir no segmento mais alto do mercado. Para isso, investiu pesado em dois formatos de produto que os rivais sabem que podem capitalizar (e muito) com as vendas:

  1. o segmento de dobráveis tipo livro, até então dominado pelos rivais asiáticos;
  2. e o segmento de telefones ultra premium, finos, com construção reforçada com materiais premium e o melhor hardware disponível no mercado.

O símbolo máximo da mudança de rota da Motorola é mesmo o Razr Fold, que é resultado de anos de trabalho e evolução dos modelos em formato Flip. Com telas AMOLED de grandes dimensões, sistema de câmeras robusto e suporte à Moto Pen Ultra, o aparelho sinaliza que a empresa quer disputar atenção com modelos já consolidados.

Mais do que isso: aposta em propostas de produtividade que são gradativamente abandonados pelos seus concorrentes, como a presença de uma caneta para interação na tela (que, infelizmente, é vendida separadamente) e os inacreditáveis SETE ANOS DE ATUALIZAÇÕES DO ANDROID (e eu mal consigo acreditar que escrevi isso).

Nem todas as especificações do Razr Fold foram reveladas, mas sabemos que a experiência de uso de ponta está garantida pelo uso do potente (e caro) processador Snapdragon 8 Gen 5, que virá acompanhado de configurações generosas de memória.

A bateria permanece como principal incógnita do dispositivo, um ponto sensível em dispositivos dobráveis com painéis acima de 8 polegadas. Se a Motorola acertar neste aspecto, entregando uma autonomia de respeito, temos um produto que pode ser um vencedor dentro do segmento.

 

Por que o Signature existe

A Motorola decidiu entregar a evolução da bem-sucedida linha Edge, com a nova série Signature.

Essa linha assume o papel de verdadeiro topo de linha da marca, com foco em desempenho extremo, design refinado e diferenciação estética. Três elementos que estão presentes nos modelos premium de seus concorrentes.

E nem poderia ser diferente. além de entregar os seus traços de identidade na telefonia móvel, a Motorola precisava entregar um produto que pudesse romper paradigmas ao entregar o que a marca tinha de oferecer ao melhor, mesmo que isso destruísse cartões de crédito ao redor do mundo.

Até porque (e aqui, volto a dizer: “Apple, sua maldita…”) too mundo sabe que as maiores margens de lucro na telefonia móvel estão nos modelos premium.

Por isso, o Signature concentra o que há de mais avançado no portfólio da empresa, incluindo chip de última geração, até 1 TB de armazenamento, zoom de até 100x e bateria de silício-carbono.

A tela de alto brilho e as especificações agressivas são praticamente declarações de guerra ao iPhone e ao Galaxy S, na tentativa de chamar a atenção de quem está disposto a pagar o que for para ter o melhor smartphone do mercado.

 

Tudo ou nada

Com crescimento de 24% nos envios em 2024, a Motorola encara 2026 como um ano decisivo para consolidar sua posição de grande player do mercado global de telefonia móvel.

Desde o primeiro momento em que a Lenovo decidiu adquirir a marca, todos os passos dados foram para alcançar o objetivo de voltar a ser uma das maiores vendedoras de telefones móveis do planeta. E o novo ano tem tudo para ser aquele que vai definir se isso realmente vai acontecer, ou se chegou a hora de rever a permanência dentro do segmento.

Não acho que a Motorola vai sair do mercado de telefonia móvel com tanta facilidade, mas a Lenovo pode muito bem reestudar a presença da marca em alguns mercados que não entregam o retorno esperado.

Neste momento, a Motorola ainda está distante do topo do mercado de telefonia móvel, e essa é uma tarefa muito complicada para qualquer fabricante que não está no Top 3 neste momento.

E a aposta em celulares cada vez mais premium é estratégica, aparentemente consistente e alinhada com o futuro de toda uma indústria, que já entendeu onde pode (e vai) capitalizar mais.

Não podemos culpar a Motorola por tentar. Mesmo porque todas as outras estão fazendo mais ou menos a mesma coisa.

Boa sorte para ela. Vai precisar.

 


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@oEduardoMoreira