samsung

Em outubro de 2016, eu dei uma entrevista para a Radio France Internacional (RFI) falando sobre o fiasco do Galaxy Note 7 da Samsung. O dispositivo que era destinado a ser o melhor smartphone do ano acabou sendo sumariamente retirado do mercado depois que várias unidades em diferentes locais do planeta pegaram fogo e começaram a explodir.

Depois de uma investigação interna, a Samsung concluiu que os problemas estavam na bateria e no design do produto, onde materiais explosivos acabavam entrando em contato fisicamente com a bateria, provocando as explosões.

De lá para cá, a Samsung tem feito um esforço enorme para sepultar de uma vez por todas o episódio. E tem acertado nas iniciativas.

Para começar, a melhor forma de fazer as pessoas se esquecerem de um produto de tecnologia decepcionante é lançar outro produto de tecnologia que seja excepcional aos olhos do consumidor. E os novos Galaxy S8 e Galaxy S8+ conseguem isso.

Eu não testei o produto (porque a Samsung não mandou o aparelho para testes, mas prometo que eu vou pedir), mas estive em contato com ele em algumas oportunidades, seja na loja da Samsung ou em outros varejistas. E, de fato, esse é um smartphone espetacular: bonito, potente, com ótimas câmeras, um desempenho soberbo e uma tela que enche os olhos e a vista.

O mesmo se aplica ao Galaxy S8+, já que a principal diferença entre os dois está mesmo no tamanho da tela.

Depois disso, temos um Galaxy Note 8, que é sim um forte candidato a ser o melhor smartphone de 2017. Predicados para isso tem de sobra: um hardware ainda mais potente que o S8, câmeras melhores, várias tecnologias inovadoras, igualmente bonito, uma S Pen melhorada…

Até mesmo a menor autonomia de bateria (algo perfeitamente compreensível, levando em conta o passado recente) não desabona o dispositivo, que tem tudo para agradar os geeks mais exigentes.

Aliás, o evento de lançamento global do Galaxy Note 8 teve toques de sentimentalismo, com a Samsung fazendo um pedido de desculpas ao som de The Beatles (Across the Universe). Tudo isso, com o objetivo de melhorar a sua imagem diante do consumidor.

Acho tudo isso muito válido. É o mínimo que se espera deles depois do que aconteceu com o Galaxy Note 7.

Logo, ver a ação de marketing que entregou 200 unidades do Galaxy Note 8 durante um voo na Espanha é a cereja do bolo de tudo isso. É uma ação genial, já que dá a resposta definitiva para todas as críticas recebidas no passado.

É sempre bom lembrar que o Galaxy Note 7 esteve proibido de entrar em voos de determinadas companhias aéreas, por ser considerado um dispositivo perigoso.

Agora, a Samsung se dá ao luxo de dar o smartphone de graça para uma galera, durante um voo comercial.

Parece que o jogo virou, não é mesmo?