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Você tem certeza que quer fazer isso com você mesmo?

Se sim, eu só te peço uma coisa antes de prosseguir… leia esse texto, com a máxima atenção.

Eu te peço. Por mim.


Seja lá o que você quer fazer com você mesmo, pense muito bem. Para qualquer coisa.

Principalmente quando o passo é definitivo, o caminho é sem volta, e você já sabe muito bem o que vai acontecer no final dessa estrada.

Parar para pensar nas consequências sempre faz muito bem. Logo, eu quero que você pense. Pense com a cabeça, e pense com o coração. Ao mesmo tempo, quero que você converse comigo. Converse olhando nos meus olhos. Quero que você sinta cada palavra que eu vou te dizer. Procure absorver o melhor que eu tenho a lhe transmitir. Você não tem nada a perder, afinal de contas já tomou a sua decisão. Mas quem sabe pode acrescentar algo que seja relevante para você de imediato.

Fale de amor à vida comigo. Não precisa ter medo. Aliás, você não precisa ter medo de nada nessa vida. Nem de você mesmo. Muito menos ficar pensando em sorte ou azar, que você foi infeliz, ou que nada deu certo na sua vida até agora. O acaso é poderoso, sim, mas você ainda tem o pleno controle dos seus atos. Pode, a qualquer momento, vencer essa poderosa força chamada “acaso”. Que não é por acaso.

Me permita te deixar um conselho: arrisque mais.

Saia um pouco da retidão de pensamentos. Expanda seus pensamentos e horizontes. Ouse mais. Nem sempre o objetivo que você traçou na sua vida é aquele que realmente é o que você precisa. Lembra do tal “acaso”? Pois é: muitas vezes ele te presenteia com aquilo que você mais necessita na sua vida. E, de novo, não é por acaso. Tinha que acontecer. Logo, respire fundo e aprenda a lidar com isso. Mesmo que você saia da linha reta de vez em quando.

Continue a olhar nos meus olhos. E me ouça, por favor.

Aliás, por favor, tire esses óculos escuros… mostre os seus olhos, a janela do seu ser. Me deixa sentir como você está. Identificar suas dores e anseios. Me deixa ver o seu infinito particular.

Você não acredita em mim quando eu digo “eu te amo”… eu te amo! Eu e um monte de gente, que espera ansiosamente que você comece a acreditar nesse amor. Que espera que você comece a se amar. Uma das formas de você se amar é se permitindo a ter sonhos. Use a sua mente para idealizar um futuro promissor, construa a sua felicidade a partir da vontade de mudar a si. Reinvente-se de forma criativa.

Esqueça o passado. Ele não volta. O tempo nosso é para frente. Olhe sempre para frente, jamais para trás. Se olhar para trás, você corre o risco de tropeçar, cair e se machucar. E, de coração, eu não quero que você se machuque.

O que passou, passou. O que importa é o aqui, agora.

O que importa é que você está aqui, comigo. Nesse momento.

Ei… onde você vai?

Volte aqui! Eu estou conversando com você! Não vai embora, por favor!…

Não fecha essa porta na minha cara!

Será que vou ter que gritar para você me ouvir???

Eu grito, se for necessário!

Eu grito, sim! Pela minha liberdade! E pela sua liberdade também.

Grito desesperadamente para me sentir livre das amarras, conceitos e pré-conceitos estabelecidos por quem me cerca. Grito para destruir os muros das mentiras e traições. Grito para que você ouça a verdade, mesmo que ela te machuque! Porque eu te amo, e você merece saber a verdade! E a verdade… a verdade… a verdade é que a vida é maravilhosa demais para você não querer mais se arriscar a ser feliz e viver esse tempo!

Machucados? Todos nós estamos! Quem não quer se machucar mais não quer viver. Pois viver é, eventualmente, se ferir pelas armadilhas da vida, perecer por conta da ação do tempo. Ter cicatrizes das pessoas que amamos. Viver é correr riscos, sabendo que pode vencer ou perder, rir ou chorar… ensinar e aprender.

Eu estou aqui! Me dou por inteiro para fazer você mudar de ideia! Pelo amor de Deus!

Tudo bem, a essa altura você não acredita mais em Deus. Seu amor por ele acabou. Então… ao menos em nome do amor que você diz sentir por mim! Você não vai querer me deixar nessa tristeza profunda, vendo você dar esse passo que, convenhamos… vai te levar para onde mesmo?

Qual é a graça de você me deixar aqui sozinho, sem você? O que vai ganhar com isso? A sua “paz” em troco da minha decepção em ver você desistir?

Sério mesmo que é assim que você quer ser lembrado por mim e por todos que te amam?

É dessa forma que você resolve seus problemas? Fugindo covardemente?

É assim que você quer matar tudo de bom que as pessoas que te amam sentem por você?

Pense bem. Pense muito bem. Pois um pouco de mim está dentro de você. E eu não quero que parte de mim vá com você!

Caramba, viu o que você fez?

É claro que estou chorando! Odeio ver você sofrendo assim. Eu não quero que você vá embora! Quero que você me abrace, e diga comigo, olhando nos meus olhos, que tudo vai ficar bem… quero que você veja em mim que nunca fui tão sincero para alguém em toda a minha vida, e que entenda que eu preciso de você para continuar a ser feliz! Se você for embora agora, o que vai ser de mim?

Você não pode deixar isso acontecer comigo…

…porque eu não quero que isso aconteça com você!

Então… você pensou melhor? Você pensou melhor… por mim?

Fique… eu estou aqui. Eu preciso de você aqui comigo!

Sim… nem preciso dizer que “A Seta e o Alvo” é um pedido desesperado de alguém que tenta evitar que alguém tire a própria vida. E espero que esse texto possa ajudar alguém a mudar de ideia. A sentir a real consequência desse ato insensato. Que alguém possa ler esse texto, e pensar algumas vezes antes de dar o passo rumo ao nada.



“A Seta e o Alvo”
(Nilo Romero, Paulinho Moska)
Paulinho Moska, 1997


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