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Provavelmente seus fãs vão cantar essa canção hoje…

Um boa praça. Um cara que esbanjava simpatia, que fazia as pessoas felizes. Um dos meus heróis, pois foi um dos percussores do rock nacional que eu tanto amo.
Jerry Adriani foi virar estrela lá no céu. Foi se encontrar com o amigo Raul Seixas, que produziu os três primeiros discos de sua carreira solo, após a fase com a banda Panteras. Apesar de se notabilizar por ser um cantor iminentemente romântico na maior parte da sua carreira, Jerry sempre manteve o DNA roqueiro.
Ou você acha que o nome Jerry era mera coincidência?
Sem falar que o seu disco de maior sucesso na década de 1990 foi uma série de versões em italiano das músicas da maior banda de rock nacional de todos os tempos, a Legião Urbana.
De qualquer forma… Jerry Adriani vendia para todos um universo romântico e apaixonado. Muita gente pode chamar de brega hoje, mas funcionava muito bem nas décadas de 1960 e 1970. Ele soube beber muito bem da fonte do “iê-iê-iê” e da Jovem Guarda, estendendo por mais alguns anos o gênero musical e inspirando muitos daqueles que decidiram fazer música nas décadas seguintes.
Jerry Adriani não era Roberto Carlos, apesar de muitos na época buscarem similaridades. Tinha identidade própria. Tinha um sensibilidade natural. Conseguia se comunicar com os corações apaixonados de forma imediata.
E isso era sinônimo de sucesso. Afinal de contas, corações apaixonados sempre existiram, e sempre vão existir. Sempre teremos pessoas que vão sofrer de dor de amor. Sempre teremos corações partidos. Sempre teremos pessoas que se lembrarão daquelas pessoas amadas ouvindo aquelas músicas que fazem vir a mente a imagem do grande amor. Sempre teremos pessoas que vão querer amar novamente.
Jerry Adriani emprestou sua voz para cantar os amores e desamores do amor. Emprestou melodia às poesias românticas que embalaram corações apaixonados. Fez a trilha sonora de nossos pais e avós, que através desse amor nos ensinaram a sentir amor pela boa música. Ou pelo menos tentaram nos mostrar um pouquinho do que era amar alguém.
Se bem que essa lição cada um aprende por conta.
É uma pena quando pessoas como Jerry Adriani vão embora.
Sempre fica aquele pesar por não ter mais alguém que fazia tantas pessoas felizes. Ainda mais quando todos percebiam que sua simpatia e forma positiva de ver o mundo não eram meras manobras de marketing pessoal. Eram dele. Aos olhos de muitos, ele era uma pessoa “do bem”. Alguém que sabia ser ídolo de uma geração, sendo um ser humano de bom coração.
Prefiro entender que Jerry cumpriu com louvor sua missão na Terra. Deixou o seu recado com palavras claras, alcançou o coração das pessoas e influenciou gerações. Foi de embalar os bailes da jovem guarda até embalar os namoros de casais apaixonados, ou cantigas que as mães entoavam para seus filhos dormirem.
Isso é algo bem difícil de se conseguir ao longo de uma carreira musical.
Quem consegue isso se torna eterno. Entra para a história. E com certeza as canções interpretadas por Jerry Adriani o tornarão eterno na música brasileira.
Hoje, infelizmente, perdemos Jerry Adriani.
Aos 70 anos de idade, ele perde a batalha para o câncer.
Na verdade, não perdeu.
Pessoas com a carreira que ele teve são vencedoras. Como disse antes, o seu legado o coloca em um status onde jamais será esquecido.
Com certeza não será a última vez que vamos falar de Jerry Adriani. Mesmo que a gente queira, não vamos conseguir. Pois vamos trazer as lembranças em forma de canções, dentro do coração.Muito provavelmente nossas mães e avós vão cantarolar essas e outras músicas enquanto preparam o jantar hoje. Já outras vão simplesmente se debruçar na janela e ver o pôr do sol ao som de “A Última Vez”. Em silêncio. Com saudades.

Jerry Adriani… muito obrigado!
Obrigado por contribuir com o enriquecimento da música brasileira. Por inspirar os meus heróis no rock nacional a comporem as músicas que ajudaram a moldar o meu caráter, ou que mudaram a minha vida. Obrigado por render tributo a alguns deles, fortalecendo o elo de ligação da sua história na música com a história de muita gente.
Mas principalmente… muito obrigado por cantar o amor. Por fazer com que o amor chegasse ao coração de uma geração apaixonada, que vivia os sentimentos de uma forma mais lúdica que a minha, mas que fortaleceu relações de forma sincera, inspirada em suas palavras.
Vá cantar e encantar junto às outras estrelas.
E.. ao chegar ao céu… grite: TOCA RAUL!
Ele vai ficar feliz em rever você.
 
“A Última Vez” 
(Pedro Paulo)
Jerry Adriani, 1971


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