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Adeus, Cinema… obrigado por tudo!

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Adeus, amigo cinema… eu realmente vou sentir a sua falta. Mas… é preciso deixar você morrer em paz.

Nunca desejei a sua morte. Para mim, você será eterno no meu coração apaixonado pelas histórias que você contou. E, antes de qualquer coisa, eu agradeço por tudo o que você fez por mim. Foi por sua causa que passei dez anos da minha vida escrevendo sobre TV e cinema na internet. Por sua causa eu sei o que significa Hakuna Matata, aprendi o “faça ou não faça, não existe o tentar” e que “a vida passa rápido demais, e se você não aproveitar um pouco a vida, ela passa e você nem vê”.

Foram tantas lições que aprendi com você, que me tornei um ser humano um pouco melhor. Talvez eu esteja demonstrando uma enorme ingratidão por não lutar pela sua sobrevivência, mas… está acima de mim. E acima de você também. Seus “donos” deixaram você doente nos últimos anos, e uma pandemia global o deixou na UTI onde agora você se encontra.

E tudo o que testemunho nesse momento é que estão desligando os seus aparelhos. Universal, Disney e Warner Bros. se despediram de você recentemente, e eu estou fazendo o mesmo neste texto.

Quero que você, cinema, saiba que terá um lugar especial no meu coração. Sempre será um dos grandes amores da minha vida. Entre tantas coisas que aprendi a amar ao longo de 40 anos de existência, você foi aquela que me fez sorrir e chorar de forma tão intensa, que só posso chamar a sua experiência de… VIDA!

Eu vivi você. Eu amei você. E tive que me afastar de você por causa de uma pandemia. Alimentei em mim a esperança que um dia voltaríamos a nos encontrar. Mas a cada dia que passa, e a cada nova notícia, entendo que a sua morte está cada vez mais próxima.

Por favor, não me veja como alguém cruel. Mas… preciso seguir em frente… preciso olhar para o futuro.

A arte do cinema precisa se tornar mais democrática e acessível para todos. Apenas 10% das cidades brasileiras contam com uma sala de cinema, e o streaming é, de forma indiscutível, a forma mais viável para que a experiência de assistir um filme seja a mais acessível para qualquer pessoa. Não questiono a singularidade que representa assistir a um filme em uma sala de cinema. Questiono sim gastar em torno de R$ 100 para assistir a um filme.

Isso não é justo. Foi isso que matou o cinema.

Assistir a um filme não pode mais ter regras ou barreiras arcaicas e estabelecidas por modelos de negócio elitistas. O que realmente importa é que você veja cinema, não importa onde, não importa como e com quem. Dublado ou legendado? Tanto faz. Desde que você absorva a história a ponto dela entrar na sua alma. Na tela do smartphone ou na Smart TV de 50 polegadas? Tanto faz. Desde que suas retinas transfiram as imagens e a ação direto para o seu cérebro.

Nunca precisamos tanto da arte como agora, nesse tempo em que vivemos distantes uns dos outros. E bem sabemos o quanto nos beneficiamos das plataformas digitais para ver as histórias que nos desligavam desse pesadelo coletivo que testemunhamos acordados. Se hoje temos um pouco de saúde mental, em boa parte temos que agradecer por assistir a um filme transmitido pela internet.

Cinema… eu vou te amar para sempre. Mais do que você possa acreditar, e muito mais do que qualquer palavra que eu poderia escrever em um texto. Minha gratidão será eterna. O meu amor será incondicional…

…mas chegou a hora de me despedir.

Vou honrar o seu legado. Mas vou voltar o meu olhar para o futuro.

Vou seguir a minha natureza para abraçar o novo. Porque sempre acreditei que o novo sempre vem.

Descanse em paz, velho amigo.

E, mais uma vez, muito obrigado!


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Publicado emCinema e TVCrônicas CotidianasCultura Pop