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Antes de qualquer coisa…

Se você algum dia foi meu amigo(a) e não é mais porque brigamos… e está lendo esse texto… eu quero te pedir as minhas sinceras desculpas por toda a dor que eu te causei.

De verdade. Do fundo do meu coração. E isso é apenas para começar esse texto.

Por muitas vezes a música acaba encontrando as palavras que nós procuramos. Ou aquelas palavras que, naquele momento de raiva, cólera ou mágoa, somos orgulhosos demais para dizer. Em qualquer um dos casos, “Adia” tem as palavras que você quer dizer naquele momento de desculpas para alguém muito importante na sua vida.

A letra é baseada em um conflito pessoal da cantora canadense Sarah McLachlan, a intérprete original da canção. Ela acabou namorando e casando com o ex-da amiga, e isso em algumas culturas pode ser considerado algo pior do que dar um tapa na cara de alguém. Na verdade, é pior sim: algumas pessoas se sentem ofendidas por ver um grande amor sendo feliz com outra pessoa.

Mas, fatos reais à parte…

Eu quero pedir desculpas. Quero pedir perdão até mesmo para amigos(as) que ainda estão na minha vida, mas que em algum momento tiveram algum tipo de desentendimento comigo.

Porém… veja bem…

Eu não estou aqui dizendo que você está certo(a) no seu ponto de vista. Dependendo do tema que foi o motivo para a briga, eu não mudo de opinião ou convicção apenas porque você acha que está certo(a).

Por outro lado…

Eu te peço desculpas. Pelo estresse. Pela irritação. Pelas lágrimas. Pela dor. Pelo tempo perdido.

Chega uma hora na vida da gente que não queremos mais brigar com aquelas pessoas que mais amamos. Nos cansamos de querer provar um ponto, ou de ter sempre a razão. Isso não é admitir a derrota em uma discussão. Isso é querer viver em paz. Isso é também respeitar a outra pessoa como um indivíduo, e reconhecer que o outro tem o direito de pensar diferente de você.

Entender claramente esse conceito e levá-lo para a prática da vida é um enorme desafio, pois quando fazemos isso deixamos de lado o nosso ego, a nossa vaidade. Abrimos mão de nosso orgulho para poder viver bem com o outro. Admito, é algo bem difícil, que às vezes eu não consigo fazer.

Algumas pessoas afirmam que eu não sei perdoar. Eu sempre respondo que essas pessoas confundem “perdoar” com “ter amnésia”. E amnésia eu não tenho.

Mas como eu prometi para mim mesmo que esse projeto também seria uma forma de aprender, me modificar e evoluir como pessoa… eu peço perdão. Por todo mal que eu causei.

Eu sou humano. Erro, sim. Erro pra caramba. Erro por me deixar levar pela inocência do calor da emoção, por acreditar que afinidades não podem resultar em discordâncias. Por gostar demais de pessoas especiais, e acreditar que elas são perfeitas em um mundo imperfeito.

Ninguém é perfeito. Eu, inclusive.

Eu peço minhas sinceras desculpas.

Você tem todo o direito de estar com muita raiva de mim. Mas… saiba que, se correram lágrimas pelo seu rosto pela dor que eu te causei, o meu rosto também se banhou de lágrimas por te fazer sofrer, e por sofrer também. Senti o mesmo aperto no coração, o mesmo vazio pela insatisfação do ocorrido, e a mesma saudade dos tempos em que os diálogos eram sem travas, barreiras ou diferenças.

Peço desculpas pelos abraços que deixei de te dar. Pelos sorrisos que nunca mais dirigi à você. Peço desculpas por não mais olhar para você com o mesmo amor de antes.

Peço desculpas por falhar miseravelmente na tentativa de um entendimento através de divergências que poderiam entregar o crescimento dos dois. Peço desculpas por não entender você, por não respeitar o seu momento e até mesmo a sua escala de evolução e capacidade de compreensão.

Peço desculpas por não manter minha humanidade diante do conflito ideológico, por me fazer forte quando deveria ser amável e compreensível. Me desculpe pela falta de amor à sua inteligência e capacidade de discernimento. Deveriam ser dois dos valores que mais fariam com que eu admirasse a sua presença.

Peço desculpas pelo tempo perdido. Não o tempo que a amizade prevaleceu, mas o tempo onde nos lamentamos pelos fatos que causaram nossa separação. Em uma vida onde temos tão pouco tempo para realizar nossos sonhos, acabamos desperdiçando tudo isso para alimentar nossa vaidade e egoísmo, que não leva ninguém a lugar nenhum.

Por fim…

Peço desculpas por você não fazer mais parte da minha vida. Não peço o perdão. Não peço uma segunda chance. Não peço um recomeçar. Peço que você seja feliz. E que não deixe de confiar nas pessoas por conta do que eu te fiz.

De coração… eu não suporto a possibilidade de saber que eu machuquei alguém. Mesmo porque já fui muito machucado pelas pessoas. Eu não guardo tantas mágoas das pessoas que me feriram. Eu sigo em frente. Procuro me perdoar sempre que entendo que um determinado cenário se tornou irreversível, ou após eu compreender que esgotei todas as possibilidades de reconciliação.

Para mim, meus amigos são amigos de verdade. Eu aceito a máxima que diz que os amigos são a família que a gente escolhe, pois são eles que não nos abandonam nas derrotas, que comemoram conosco as nossas vitórias. Que aplaudem nosso crescimento e progresso com entusiasmo.

Amigos. De verdade. Até o fim. Até depois do fim.

Mas… se o fim chegar… só tenho duas alternativas:

– Ou compreender que aquela pessoa cumpriu o seu papel na minha vida, e seguir o meu caminho sem aquela pessoa…

– Ou tentar consertar. Pedindo desculpas. Pedindo perdão.

Se nada funcionar, simplesmente direi: “eu vou sentir sua falta…”


“Adia”

(Pierre Marchand, Sarah McLachlan)

Sarah McLachlan, 1998

A tradução está abaixo, na versão de Avril Lavigne, que também acho ótima.


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