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Mais uma vez, eu poderia dizer “por que não quer”, e esse post nem precisaria existir. Mas o mundo não é tão simples assim. Afinal de contas, se alguém comparar o iPhone original, de 2007, com o último modelo que deve ser lançado em 2014, vai chegar a uma conclusão bem simples: a interface de usuário é mesma!

O que nos leva a perguntar: como é possível que, em um mercado tão rentável onde a inovação faz toda a diferença, uma plataforma se mantenha praticamente intocável ao longo dos anos, e nem assim sofre sinais de desgaste no mercado?

A Apple conseguiu esse efeito com mãos de ferro, e a pior parte é que isso parece que não vai mudar tão cedo. Muitos temem que o iPhone do futuro manterá a mesma interface gráfica dos modelos anteriores, para desespero de quem espera mudanças ou novidades.

Na semana passada, vimos o vazamento da suposta interface gráfica do iOS 8, que é exatamente a mesma do recém lançado iOS 7.1. Alguns reclamam da mesmice. Outros a ignoram, e priorizam os novos recursos. Mas… afinal de contas… por que diabos a Apple não evoluiu DE VERDADE o iOS?

Existem muitos motivos que explicam a lógica da Apple. O crescimento do iPhone é constante e sólido, mesmo sem ter a liderança do mercado de smartphones, que segue nas mãos do Android. Mesmo assim, a Apple se defende dizendo que seu mercado é menor, mas mais rentável. Ou seja, a não ser que uma mudança muito grande aconteça de repente, a própria Apple não vê necessidade de mudar de forma brusca a sua estratégia.

Ainda mais quando o iPhone tem todo um respaldo do mercado, com sua combinação hardware/software que é considerada vencedora.

As bases que Tim Cook se agarra para seguir com o iPhone do jeito que está são as seguintes:

* Hábito de uso: a Apple tem receio que mudanças radicais no software, por um motivo bem simples: é muito mais fácil a transição de um sistema para outro quando as mudanças são menores. Dispositivos como o iPhone estão nas mãos de jovens com elevado conhecimento de tecnologia, porém, nossos avós que usam o mesmo iPhone para tirar fotos e compartilhar com os familiares, não. Uma mudança radical poderia colocar em risco essa transação, e a Apple não quer isso de jeito nenhum.

* Por que mudar algo que funciona? Isso é de uma obviedade que assusta. O iOS é um sistema sólido, que o usuário se habituou a fazer tudo com poucos cliques, além de acessar as funções mais usadas com um toque na tela. É a melhor interface do mundo? Talvez não, mas é intuitiva e simples. E ao longo de 7 anos, é um dos responsáveis pelo sucesso do iPhone.

* Os desenvolvedores: Uma das chaves do sucesso da Apple foi atrair os desenvolvedores, fazendo com que esses ganhem dinheiro com o iOS. Isso permitiu o crescimento sustentável do ecossistema, com o aumento da qualidade dos aplicativos de forma constante. Sem grandes mudanças, o trabalho dos desenvolvedores é mais simples, aproveitando as APIs conforme a Apple vai liberando. Sem traumas.

Por outro lado, esta estratégia continuista não sai de graça para a Apple: o número de usuários que criticam a mesmice do iOS aumenta a cada dia, onde os retoques estéticos não foram suficientes. A filosofia de funcionamento segue a mesma.

A Apple pode se defender (e com razão) que as mudanças maiores estão em segundo plano, com incorporações como o Centro de Notificações, o painel de controle inferior, ou funções como Não Perturbe e outras. Porém, tudo isso já estava presente em sistemas concorrentes, e não parece ser o suficiente para os usuários mais exigentes. Os concorrentes seguem inovando e oferecendo novas soluções para seduzir os usuários que estão de saco cheio do iOS. E a julgar pelo número de pessoas que eu conheço que abandonaram o iPhone, parece que está dando certo.

De fato, me custa a imaginar que o iPhone vai ter uma interface de usuário muito diferente do que temos hoje daqui a cinco anos, e é mais provável que a Apple opte por inovar na interação com o dispositivo (como aconteceu com o Siri, por exemplo) ou adicione novidades no hardware do dispositivo, do que mudar completamente o célebre e cômodo sistema de ícones do iOS.

O que é uma pena, pois vindo daquela que é a “rainha da inovação”, ficar sete anos com um conceito é algo bem cômodo.


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