
Pedro Caxa, influenciador digital e ex-diretor de marketing do Zeenix, projeto de “console nacional” (sic) da TecToy, confirmou em publicação no Instagram sua saída da empresa em fevereiro de 2025.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, Caxa revelou que a maioria da equipe envolvida no desenvolvimento do Zeenix também deixou a companhia recentemente. Apenas Eddy Antonini, gerente de projetos da divisão de games, permanece no cargo.
As demissões e pedidos de desligamento ocorreram após divergências estratégicas entre o time original do Zeenix e a Transire, empresa de automação financeira que adquiriu a TecToy em 2023.
Com tudo isso apresentado, pergunto: já podemos dar o Zeenix como um projeto morto e enterrado?
Polêmica no preço do produto

Caxa destacou que, até a gamescom Latin America de 2023, a equipe tinha uma visão clara sobre o posicionamento do produto no mercado brasileiro. Porém, após o anúncio do preço inicial de R$ 2.699 para a versão Lite e a polêmica em torno do valor elevado, a Transire passou a questionar a direção do projeto.
A falta de alinhamento entre os objetivos da equipe de games e os da nova gestão teria culminado na saída em massa de colaboradores.
O lançamento do Zeenix foi marcado por críticas relacionadas ao preço, considerado alto para o mercado brasileiro. A TecToy inicialmente manteve o valor da versão Lite em R$ 2.699 para o lote de estreia, mas prometeu aumentá-lo para R$ 3.299 após o esgotamento das unidades limitadas.
Até o momento, no entanto, o preço segue congelado, e a versão Pro, mais potente, ainda não tem data de lançamento ou valor definido.
Em entrevista ao IGN Brasil, Eddy Antonini afirmou que o Zeenix Pro chegará ao mercado no primeiro semestre de 2025, atrasando os planos originais. A justificativa da empresa é a complexidade do produto e uma estratégia de posicionamento baseada na demanda.
Apesar disso, a ausência de detalhes técnicos e comerciais gera desconfiança entre os fãs. Principalmente agora, após a saída de parte da equipe responsável pelo desenvolvimento.
Que o preço do Zeenix era pavoroso, todos os possíveis compradores sabiam desde o começo. O que torna esse cenário ainda mais constrangedor, é que tanto o Pedro quanto o Eddy foram até grandes veículos de mídia e entretenimento para defender os valores anunciados pela Tectoy.
E está tudo certo. Os dois estavam defendendo os seus empregos e o projeto como um todo.
Acontece que o tal contorcionismo feito pela dupla para justificar o injustificável era o menor dos problemas do projeto Zeenix, que teve a sua fanfic de “produto nacional” rapidamente desmentida, já que a internet de hoje permite que qualquer pessoa faça uma pesquisa rápida sobre produtos e serviços, descobrindo a realidade dos fatos.
E o Zeenix ser um produto “white label” nem é um problema tão grave assim. Outros produtos da TecToy são, e a gente não pegou no pé da empresa por causa disso.
Porém, a empresa tinha a obrigação de contar a verdade para o consumidor
A Transire e a nova direção estratégica da TecToy

A aquisição da TecToy pela Transire, especializada em soluções de pagamento, trouxe mudanças à gestão do Zeenix.
Pedro Caxa criticou a falta de clareza da nova diretoria sobre o futuro do console, afirmando que a visão comercial da Transire não se alinhava com os objetivos originais do projeto. Segundo ele, a empresa priorizou ajustes financeiros em detrimento da proposta inicial de oferecer um produto acessível e inovador.
A TecToy, por sua vez, reforça em notas oficiais que o cronograma de lançamentos permanece inalterado. Um porta-voz declarou ao IGN Brasil que a divisão de games segue “totalmente empenhada” no Zeenix, e que as mudanças na equipe não afetarão os planos.
O problema é que, neste momento, ausência de comunicação transparente sobre os próximos passos alimenta especulações sobre a viabilidade do projeto. Não há confirmação de datas futuras, preços ou janelas de lançamento de novos lotes do Zeenix Lite ou até mesmo do lançamento oficial do Zeenix Pro.
Tudo é muito incerto.
O impacto nas vendas e a reação do público

Apesar das turbulências internas, a TecToy afirma que o Zeenix Lite segue em comercialização, com o lote inicial ainda disponível, o que confirma que o produto foi muito mal nas vendas.
Quem adquiriu o produto durante a pré-venda já recebeu os consoles, mas a empresa não divulgou números oficiais de vendas. A demora no lançamento da versão Pro e a instabilidade na equipe geram dúvidas sobre a capacidade da TecToy de cumprir suas promessas.
Nas redes sociais, consumidores demonstram frustração com a falta de atualizações concretas. Muitos questionam se o Zeenix Pro será realmente lançado ou se o projeto foi abandonado após os problemas na gestão.
A reputação da marca, que já foi símbolo da indústria de games no Brasil nos anos 1990, agora enfrenta um desafio sem precedentes para reconquistar a confiança do público.
O desafio de reinventar um ícone

A história recente do Zeenix ilustra os desafios de revitalizar uma marca histórica em um mercado competitivo. Uma missão que passa bem longe de ser das mais fáceis: recentemente, a HMD Global tentou a mesma coisa com a lendária Nokia, e jogou a toalha depois de anos sem obter os lucros e a relevância esperada.
Por mais que a nostalgia venda nos dias de hoje, a impressão que fica é que o público que antes abraçava e defendia as marcas clássicas decidiu seguir em frente. Porque o novo sempre vem e, da mesma forma que tem saudades do que já foi, entende que esses revivals não são a mesma coisa do que já tivemos.
A Nokia DE VERDADE é aquela do passado, e todo mundo sabe disso. A TecToy DE VERDADE foi aquela que abalou o mercado com o Master System e o Mega Drive. Foi a empresa que, para muitos brasileiros, é sinônimo de “o meu primeiro videogame na vida”.
É um legado que será eterno. E, ao mesmo tempo, uma confirmação do “o que passou, passou”.
A saída de Pedro Caxa e de sua equipe evidencia os conflitos entre visões criativas e estratégias corporativas, o que é prejudicial para o Zeenix (que, gostemos ou não, era mais uma opção de videogame portátil no mercado) e para a TecToy que, a essa altura do campeonato, nem sei se está tão preocupada assim em vender uma imagem mais positiva para o grande público.
Para recuperar seu lugar no mercado, a empresa precisará não apenas lançar produtos funcionais, mas também reconstruir uma narrativa coerente que conecte seu legado à inovação.
Sem transparência e engajamento, o Zeenix corre o risco de se tornar mais um capítulo frustrante na trajetória da TecToy.
Só não chamo ele de “novo Zeebo” porque é impossível você ter um produto tão ruim quanto um videogame com hardware de smartphone de entrada. Porém, o fracasso comercial pode ser o mesmo, o que seria vergonhoso para todos os envolvidos.
