Alô, alô marciano

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Alô, Alô, marciano!

Tá na escuta?

Eu sei, a conexão é ruim porque as operadoras de telefonia móvel, que já não entregam um 4G decente, agora oferecem um 5G “em modo gambiarra”. E não sei se você vai entender o que significa o termo “gambiarra”, pois é uma coisa que só os terráqueos e, muito em particular, os brasileiros, compreendem a essência do termo.

Aliás, se é possível definir o ano de 2020 como um todo, um dos termos que melhor define os últimos 12 meses é “gambiarra”. Tivemos que improvisar em tudo, inclusive na nobre arte em continuar vivos. Nisso, o brasileiro sai em vantagem: trocar pneu com o carro em movimento parece que virou a nossa especialidade.

Aqui quem fala é da Terra. Pra variar, estamos em guerra…

Nosso inimigo é mortal e invisível, mas recentemente acertamos o primeiro tiro nele. Estamos vendo uma luz no fim do túnel, e não é do trem vindo na direção contrária. Sim, ainda falta muita coisa acontecer para essa guerra terminar, mas começamos a virar o jogo.

Quero dizer… mais ou menos, né?

Tem essa galera aí sem máscara se aglomerando nas praias e botecos, esse povo que não se importa com a saúde dos outros e alguns líderes que decidiram politizar a coisa de forma bem infantil. Mas vamos superar esses obstáculos também.

Aí, marciano… você não imagina a loucura do ser humano…

Estamos na maior fissura… Estamos divididos.

A coisa está tão complicada por aqui, que é fácil dizer que confronto das torcidas do Palmeiras e do Corinthians dentro do metrô da Sé em dia de clássico é algo mais tranquilo. Até porque não tem torcida no estádio, e dificilmente essas torcidas se encontram… por enquanto.

Está cada um olhando torto para o outro, se perguntando o que aquela outra pessoa pensa. E não ousamos perguntar sobre o pensamento alheio, pois debate de ideias vira discussão acirrada em poucas palavras. É tão bizarro, que bater boca sobre futebol virou algo mais inteligente (ou menos burro, dependendo da perspectiva).

A única coisa realmente divertida dessa bagunça que foi 2020 é ver que…

Tá cada vez mais down in the high society!

Tá, marciano… eu sei que você vai me chamar de louco, pois no meio do caos os ricos ficam mais ricos, e os pobres ficam mais pobres.

Mas… quer saber? Dessa vez, não foi meio assim.

Tem muita gente por aí que arrotou para o mundo ser magnata, mas na hora que o bicho pegou, só mostrou claramente que não passava de um capitalista fudido (beijo, Ana Aquini… jamais vou me esquecer deste termo…) que não tinha todo esse potencial econômico.

Vi muitos negócios se reinventando, projetos individuais prosperando.

E vi muita solidariedade e empatia também.

A high society ficou down por ver o dinheiro parando de entrar nas contas bancárias. E a down society ficou high (sem referência à maconha aqui, por favor) ao ver que podia crescer se estendesse as mãos para o outro se levantar (com o devido distanciamento social).

Aí, marciano…

Em 2020, a zona aumentou, todo mundo foi para lona, a mordomia acabou para uma galera e os falsos reais realmente pediram a alforria de suas lideranças. Tem muita gente no “cada um por si” nesse momento para tentar se salvar.

Porém, ver como as dinâmicas sociais mudaram durante uma crise sanitária global sem precedentes foi uma das coisas mais assustadoras e interessantes que vivi em toda a minha vida. Quero ficar para ver o que virá depois de tudo isso.

Guarda o convite para a abdução para outra hora. Enquanto isso, vamos nos falando.


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