Eu não sou um universitário. Já fui. E por ter estudado a minha vida inteira em uma escola pública, eu digo: eu não sou um idiota útil.

Posso até ser considerado um inútil por muita gente. Eu não sou concursado, não segui carreira militar e trabalho por conta. Escrever para a internet, oferecendo conteúdo relevante e informação pode ser considerado algo inútil para quem passa a maior parte do tempo compartilhando fake news no WhatsApp e postagem de reflexão do dia no Facebook.

Ou seja, a inutilidade só pode ser analisada a partir de um ponto de vista.

Agora… idiota?

Eu não me vejo como um idiota por ter aprendido com o passado a como olhar com o futuro com respeito. Não me sinto um idiota por aprender com professores que dedicaram a sua vida na nobre missão em formar cidadãos. Eu não me sinto um idiota por compreender que a palavra “contingenciamento” nesse caso significa “corte”.

Talvez eu seja mesmo um idiota útil.

Talvez eu seja parte de uma massa de manobra que passou a vida inteira entendendo que era importante respeitar opiniões contrárias. E agora vê um imbecil (já que ele ofende, merece ser ofendido) regurgitar absurdos para prejudicar a educação de milhões.

Provavelmente eu sou um idiota útil ao tentar (em vão) convencer outras pessoas que elas estavam escolhendo um mentecapto (e hoje perceber que essas mesmas pessoas são tão acéfalas quanto ele). Se eu tivesse feito melhor do que simplesmente tentar entender quem pensa diferente e tivesse jogado a verdade na cara de todo mundo, quem sabe as coisas não seriam um pouco diferentes.

Agora, não adianta. Mesmo que eu jogue a verdade, a galera da pose de arminha com a mão não consegue ver, porque é difícil enxergar as coisas quando temos um saco de papel na nossa cabeça para esconder o rosto.

Sinceramente? Eu prefiro ser um idiota útil protestando por uma educação pública de melhor qualidade do que ser um idiota inútil que, nesse momento, se esconde como rato de esgoto no Texas.