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Apple Watch: inteligente (até demais), quadrado e caro

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A estrela principal da Apple no evento de hoje (9) foi, sem sombra de dúvidas, o Apple Watch (antes conhecido como iWatch, mas todo mundo foi passado para trás nesse aspecto). Esse foi o melhor segredo da Apple nos últimos meses, pois até o evento de hoje, a imagem do produto ou seus recursos não apareceram em nenhum lugar na internet ou em veículos especializados, mesmo com seu anúncio sendo dado como certo antes dias de sua apresentação oficial.

De qualquer forma, o Apple Watch veio com a intensão de entrar de cabeça no negócio dos relógios inteligentes, com qualidades e defeitos. Talvez a sua principal qualidade é ser um novo produto da Apple, com a identidade da Apple. Um vídeo imenso com várias funcionalidades (muitas delas já presentes em outros dispositivos), novas formas de interagir com essa categoria de produto (como o pequeno disco na lateral do relógio), três versões do dispositivo (com dois tamanhos em cada uma delas), pulseiras intercambiáveis, e um design que remete à linguagem da Apple de alguma forma.

Apesar de ser um smartwatch quadrado. Ainda prefiro os telefones redondos. O que não quer dizer que o relógio da Apple é “feio”. Só não acho o seu design tão legal assim.

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Uma das coisas mais legais do Apple Watch é que a Apple repensou a interface de forma específica para que o produto funcione bem em uma tela tão pequena. Aliás, por conta de suas baixas dimensões de tela, eles entenderam que um replanejamento da interface de uso era mais do que necessária. Aliás, eles entenderam algo já percebido no Android Wear e no Tizen adaptado para smartwatches: não dá para reduzir um sistema de uma tela maior em um dispositivo com uma tela menor.

Outro ponto positivo – e até mesmo esperado – no Apple Watch é a grande presença de sensores e tecnologias de quantificação e monitorização do usuário. Com a ajuda do HealthKit, o relógio pode medir diversos aspectos de sua atividade física diária, seguindo assim a tendência da maioria dos smartwatches disponíveis no mercado, que é ser o grande aliado do usuário nos cuidados de sua saúde. São elementos que naturalmente agregam valor ao dispositivo, aumentando sua relevância na compra.

Porém, temos que falar dos problemas que o produto já apresenta.

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Para começar, não existem recursos realmente revolucionários (nem esperava muito isso mesmo) ou tão diferentes assim no Apple Watch em relação aos demais smartwatches. E as poucas coisas minimamente interessantes (quantificação, interação com elementos físicos como fechaduras, etc) ou estão presentes em outros dispositivos do gênero (em formatos diferentes) ou podem estar sem maiores dificuldades, com simples adição de software.

Para muita gente, a Apple mostrou como o sistema funciona, mas sem mostrar realmente alguma funcionalidade que vale a pena o investimento no produto. Sem falar que os detalhes mais importantes do seu hardware não foram revelados: afirmaram que contam com recursos de hardware especificamente pensados no relógio, com sensores e co-processadores específicos, mas nenhum dado relevante foi apresentado, que possa comprovar (ou levantar dúvidas) sobre o seu real potencial técnico.

Inclusive a sua bateria, que sequer foi mencionada durante a sua apresentação. Muitos afirmaram que a Apple ainda está brigando para oferecer uma autonomia de uso minimamente decente com o Apple Watch, e por conta disso, nada foi dito nesse aspecto. Não duvido disso. Quero lembrar também que esse não é um problema específico do relógio da Apple, e outros fabricantes também encontram problemas nesse sentido.

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Mas o que realmente me incomoda com o Apple Watch é o fato dele depender (e muito) do iPhone para funcionar de forma plena. Não só depende da troca de dados com o smartphone, mas também da conexão via WiFi, 3G ou 4G do telefone, e – pasmem – do GPS do mesmo, para as funcionalidades de geolocalização. Agora, do que adianta você usar o relógio para suas atividades esportivas – especificamente caminhadas e corridas -, sendo que você precisa do smartphone junto para se localizar no mundo?

Isso mesmo: nada.

A mesma regra vale para o Apple Pay: o Apple Watch é compatível com o novo sistema de pagamentos da Apple, mas por ser um tanto quanto burro nas funções de conectividade, ele depende do iPhone para confirmar a compra que acabou de ter o seu pagamento iniciado pelo relógio.

Não faz o menor sentido!

Na boa? Eu esperava uma maior independência do Apple Watch. Sejamos francos: é a Apple. Você espera mais do que isso. Se até a Samsung colocou um SIM card e GPS em um dos seus relógios com Tizen, por que a Apple fica regulando mixaria para os usuários? Ainda mais quando o produto custa notoriamente mais caro que os seus principais concorrentes (US$ 349).

No final das contas, o Apple Watch até passa como dispositivo para geeks e para os fãs da Apple, mas peca em aspectos essenciais. Não estou desmerecendo o produto – vai que algum dia a vida me permita a ter um desses, não é? -, mas não me desperta tanto interesse assim. Entre ele e o Moto 360, eu ainda opto pelo modelo da Motorola. Os diferenciais do relógio da Apple não justificam o investimento a mais.

Mas isso, na minha opinião, é claro.


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