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As lições que o Brasil deixa na Copa do Mundo de Clubes

As lições que os clubes brasileiros deixaram na Copa do Mundo de Clubes da FIFA são importantes para o futebol do país. A competição terminou quando o Fluminense foi eliminado pelo Chelsea por 2 a 0.

Mas vamos parar para pensar um pouco.

A campanha dos brasileiros na competição deixou lições para o mundo do futebol como um todo, o que naturalmente desperta reflexões importantes sobre como devemos enxergar nossas equipes e treinadores a partir de agora.

Muito mais do que vencer jogos ou ser eliminado antes da final, o futebol brasileiro se mostrou competitivo o suficiente contra algumas das principais equipes europeias.

 

Muito melhor do que o esperado

Você, torcedor do Fluminense mais otimista, imaginava que seu time chegaria à semifinal dessa Copa do Mundo de Clubes?

Agora podemos dizer que o Fluminense é um dos quatro melhores times do mundo, mesmo que você não concorde com os critérios.

Afinal, esta foi a primeira vez que tivemos clubes do mundo inteiro reunidos no formato de 32 equipes, no tradicional estilo “mata-mata”, o mesmo que a FIFA modificou para a Copa do Mundo de seleções de 2026.

Portanto, o torcedor tricolor tem razão para se orgulhar.

A maioria dos torcedores do Fluminense não imaginava que o time pudesse chegar tão longe. Poderiam até acreditar e torcer, mas projetar uma semifinal contra o Chelsea, para um clube que até poucos anos estava na segunda divisão, é algo simplesmente fantástico.

O mesmo vale para a campanha do Botafogo, que caiu para o Palmeiras nas oitavas de final, mas venceu um gigante como o Paris Saint-Germain, atual campeão europeu e da UEFA Champions League, considerado por muitos o melhor time do mundo no momento.

Quando o torcedor do Botafogo poderia imaginar algo assim?

Esse mesmo torcedor que sofreu com problemas financeiros, técnicos, quedas de performance e que duvidava da competitividade do time.

Tudo bem, houve ajuda de John Textor e da SAF, e eu espero que a conta feche no futuro. Mas, por enquanto, a SAF do Botafogo funciona, com um investimento que já se pagou com a conquista da Libertadores.

Independente dos aspectos financeiros ou técnicos, o Botafogo fez uma Libertadores brilhante, um excelente Campeonato Brasileiro e um Mundial excepcional. Fato.

Não adianta zoar o torcedor do Botafogo, torcedor do Vasco. Pior que ser eliminado para o Palmeiras é não participar do Mundial e ser o único clube do Rio de Janeiro fora da competição.

O Flamengo tem uma história parecida.

Enfrentou o Bayern de Munique, um desafio enorme. Isso não diminui a grandeza do clube centenário, competitivo e respeitado.

Mas é impossível comparar com o Bayern, uma das instituições mais poderosas do futebol mundial.

Ainda assim, o Flamengo tem o que comemorar: venceu o Chelsea por 3 a 1 em um dos jogos do Mundial. Nesse dia, mostrou que pode jogar de igual para igual com um clube europeu, demonstrando resiliência e capacidade de reverter situações adversas.

Há quem diga que o Chelsea não jogou a sério, entrou de salto alto. Até posso concordar em parte, mas isso não importa. O jogo era em condições de igualdade e o torneio é válido para todos.

O Palmeiras também teve seu momento, enfrentando o Chelsea em um jogo equilibrado até o segundo gol. O clube tem muito a se orgulhar por chegar às quartas de final.

Apesar das minhas ressalvas, Abel Ferreira é um dos melhores técnicos do Brasil. O time é bem estruturado, com um ótimo esquema tático e um planejamento eficiente.

É verdade que o clube se beneficia da grana da tia Leila, que banca tudo no Palmeiras. Tenho dúvidas sobre a sustentabilidade disso quando o dinheiro acabar ou ela se cansar.

Não tenho números, mas quero acreditar que a Crefisa está faturando com os clientes palmeirenses. Por enquanto, a estrutura funciona e causa inveja nos rivais paulistas.

Corinthians, São Paulo e Santos, mesmo sendo grandes clubes, invejam a organização e os resultados do Palmeiras.

Ainda acho que o jogo contra o Chelsea era vencível, mas infelizmente não aconteceu. Espero que na próxima edição o Palmeiras tenha mais sorte. Quem sabe uma revanche da final intercontinental?

 

A lição que deve ser aprendida por todos

O futebol brasileiro deixou uma lição para os europeus: somos competitivos.

Se vacilarem, ganhamos.

O futebol brasileiro é o único que mistura competitividade, habilidade, improviso, resiliência e recuperação como nenhum outro. E, por isso, merece respeito.

Mbappé foi eliminado e humilhado pelo PSG jogando pelo Real Madrid. Ele disse que o futebol sul-americano é de baixa qualidade, com clubes pobres e campeonatos pouco competitivos.

Pois bem, onde está o seu Deus agora, Mbappé?

Tem Copa do Mundo, tem finais no currículo, mas fala demais. Está mais para palestrante do que jogador.

Torcedores de Botafogo, Fluminense, Flamengo e Palmeiras devem se sentir orgulhosos pelas campanhas no Mundial. Eu, como torcedor são-paulino, estou salivando de inveja.

Se o São Paulo tivesse competência, qualidade e organização, poderia estar nesse torneio. Mas isso não acontecerá tão cedo.

O Corinthians está desorganizado, com presidente envolvido em esquema de patrocínio duvidoso. Dificilmente será competitivo nos próximos anos.

O Santos virou refém de Neymar e de seu pai. Está na Série B, corre risco de novo rebaixamento e sofre com transfer ban. Outros produtores de conteúdo já abordaram isso.

Recomendo os canais do Jorge Gordo, Vítor, Sérgio Rodrigues, entre outros, que falaram sobre esses temas.

Portanto, em São Paulo, o Palmeiras deve dominar pelos próximos anos. Corinthians, São Paulo e Santos não têm capacidade de reagir.

No Rio de Janeiro, a disputa está acirrada. Espero que a competitividade entre Flamengo, Fluminense e Botafogo estimule o Vasco a se juntar ao clube.

Foi triste ver os torcedores vascaínos esquecidos no churrasco da Copa do Mundo de Clubes.

E que bom que o futebol brasileiro nos encheu de orgulho numa competição que muitos desdenhavam, mas que se mostrou um atrativo relevante para o meio do ano.