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Na semana passada, eu fui aos cinemas assistir ao ótimo As Rainhas da Torcida, uma comédia totalmente despretensiosa que fala sobre o processo de envelhecer da melhor maneira, ou de manter viva a chama da vida, apesar do caminhar para o fim da vida. Por conta do meu perfil pessoal (eu já disse por diversas vezes que eu sempre tive uma queda enorme pelas mulheres mais velhas), o desejo em conferir qual era a desse filme era algo inevitável.

E é inevitável o processo de análise sobre as lições subliminares ou evidentes que a história deixa. Mesmo que o único objetivo do filme seja apenas divertir com piadas internas sobre a melhor idade. Aliás, a gente sempre pode aprender alguma coisa com o mundo do entretenimento. Se é possível extrair “lições de vida” com Velozes & Furiosos: Hobbs e Shaw… (essa história eu conto em outro post).

De forma bem resumida, As Rainhas da Torcida conta a história de um grupo de senhoras lideradas por uma professora recém chegada no centro de convivência que decide formar um clube de líderes de torcida, ou cheerleaders. Elas precisam enfrentar diversos desafios físicos e morais até alcançar o objetivo maior: participar de uma competição oficial.

Filmes como esse reforçam em mim a minha perspectiva sobre como é viver bem nessa fase da vida. Eu nem precisava repetir isso, mas o idoso de 2019 é bem diferente do idoso das décadas de 1960 e 1970. Os 60 anos são os novos 40 anos. E os 70 anos são os novos 50 anos.

O idoso está mais ativo, fisicamente mais preparado, possui maiores possibilidades e alternativas para relações interpessoais e, com muita sorte, modificaram pensamentos, quebraram tabus e derrubaram conceitos e pré-conceitos arcaicos e totalmente inúteis nos dias de hoje.

Se depender de mim, idoso assim sempre vai ter o meu ibope e os meus aplausos.

As Rainhas da Torcida é um filme que deveria ser visto por pessoas de 8 a 80 anos com olhos abertos para perceber os toques que o filme naturalmente entrega: o superar das limitações físicas, o olhar mais atento para os idosos que são limitados pelos filhos, os pré-conceitos das novas gerações, as perspectivas e sonhos dos mais velhos e o direito de pelo menos tentar realizar os seus sonhos, independente da idade.

Ah, sim, é claro… o filme também aborda o interesse por sexo da melhor idade, mas como isso deveria ficar implícito nessa geração, sem aquele olhar do passado onde “vovô e vovó existem para cuidar dos netos”, algo que eu acho abominável…

Ou será que não?

 

 

Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade onde muitas pessoas olham para o diferente com a pré-concepção estabelecida daquilo que é determinado de forma tola como “o normal”. E, apesar do Brasil aos poucos se tornar um país com uma maior quantidade de idosos (porque as pessoas estão vivendo mais), é comum ver a turma da melhor idade ser discriminada por apresentar um comportamento mais jovial, descontraído e ousado.

Essa turma se esquece que os avós de hoje eram os jovens da década de 1960. E, na boa… não tem como um jovem daquela década passar imune aos efeitos da Jovem Guarda, dos Beatles, de Woodstock, da revolução sexual feminina, dos movimentos sociais pela igualdade racial, das transformações políticas e culturais e até mesmo – pasmem – o choque que eles tiveram com os seus pais, muito mais conservadores.

Para você, que acha que um filme como As Rainhas da Torcida é ridículo por mostrar senhoras usando sainhas e rebolando para animar as pessoas, eu tenho uma péssima notícia: só vai piorar.

Aqui em Florianópolis eu vejo avós com piercing (em várias partes do corpo, incluindo o piercing no clitóris, para o desespero dos conservadores), tatuagens e usando roupas que revelam as melhores curvas, mesmo com a gravidade agindo sobre os seus corpos. No verão escaldante dessa cidade, é comum ver essas “coroas espertas” usando roupas curtas e esvoaçantes, os biquínis tomando o lugar dos maiôs e os bailes da terceira idade fervilhando de gente dançando por horas.

Isso é saber viver a melhor idade. Isso é ter espírito livre.

E se eu posso aprender com pessoas que se comportam assim, qualquer pessoa também consegue aprender isso.

De fato, eu fico feliz em assistir a um filme como As Rainhas da Torcida e pensar que eu tenho várias pessoas que lembram os diferentes perfis de senhoras e senhores apresentados no filme. Por causa disso (e por outras coisas também), eu penso que esse filme consegue se conectar muito bem com uma realidade que está mais próxima de nós do que imaginamos. E que a minha realidade é tão divertida quanto a ficção.

Para as minhas amigas “vovós gatosas”, “coroas enxutas” e “jovens a mais tempo”, contem sempre com a minha torcida. Eu estou aprendendo sempre com vocês, e acumulando as lições que vou precisar colocar em prática no futuro.

Eu repito: quando eu crescer, eu quero ser como vocês!

 


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