Nas redes sociais, tudo funciona por tendências. E a tendência de momento parece ser a do ‘menos é mais’. E isso pode ser positivo para todos nós.

Twitter e Instagram estão entendendo que qualidade é melhor que quantidade. Primeiro, reduziram o tamanho do contador de seguidores de perfis, para que pessoas e empresas não encarem com tanta ênfase e notoriedade para esses números. O Snapchat também está centrando os seus esforços na relevância, e não no número de seguidores.

E todos nós vamos ganhar com isso.

Ter muitos seguidores nas redes sociais tem o mesmo efeito prático que ter muito dinheiro no jogo Banco Imobiliário. Os números inflados que podem indicar popularidade ao mesmo tempo pode resultar em pouca influência objetiva, fazendo com que aquele usuário se torne menos relevante que o desejado.

O Snapchat foi a primeira grande rede social que decidiu não mais oferecer os números dos seguidores de um usuário, e decidiu adotar uma pontuação para cada usuário, de acordo com o seu comportamento na plataforma. Ou seja, mais importante do ‘quem eu sou’ está o ‘o que eu estou fazendo aqui’.

 

 

No Twitter e no Instagram, os números ainda importam. Mas o problema é que os números podem significar nada. As duas plataformas estão lutando contra os usuários falsos e/ou fantasmas que seguem grandes contas, sem falar nos bots que ficam alimentando as duas redes com conteúdos não genuínos.

Para as duas plataformas, o objetivo final é oferecer um discurso legítimo e genuíno, vindo de usuários reais. Pessoas com mais ou menos seguidores sempre vai ter, mas o mais importante é que todos tenham a mesma relevância de discurso pela qualidade da fala, e não porque muita gente compartilha aquela opinião.

Essa mudança vai resultar em redes sociais de melhor qualidade. A culpa nunca esteve nas redes sociais. A culpa é das pessoas. Nesse momento, sair um pouco do Twitter ou do Facebook faz bem, reduzindo a depressão e a solidão de pessoas que não lidam bem com um ambiente tão tóxico.

Por outro lado, se não podemos culpar as redes sociais pelo comportamento imbecil das pessoas, ao mesmo tempo algumas redes sociais assumem parte dessa culpa, por não tomarem medidas mais enérgicas e efetivas para combater discursos de ódio, por não supervisionar direito as publicações de notícias falsas e o assédio online.

Não é mesmo, Facebook?

 

 

Sem falar nos casos de vazamentos de dados ou da falta de apoio efetivo a causas humanitárias, temas que o Facebook reconheceu que falhou. O mesmo acontece com o Twitter, onde Jack Dorsey já se desculpou em várias oportunidades, mas sem realizar mudanças consistentes para melhorar o cenário.

Porém, se a decisão de deixar o número de seguidores algo menos relevante se concretizar, tudo tende a melhorar. Nem tudo pode ser audiência na internet. As empresas precisam buscar relevância e discursos sólidos, com credibilidade.

E eu torço para que esta tendência vingue nas redes sociais. Vai ser muito melhor para todo mundo.