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Observo o movimento de meus colegas blogueiros e editores de tecnologia sobre os últimos acontecimentos envolvendo um fabricante de tecnologia que recentemente promoveu lançamentos no mercado de smartphones. O lançamento em si não foi um problema, mas sim na estratégia que as assessorias de imprensa e do pessoal do marketing envolvido no processo. Uma estratégia já manjada, ultrapassada, e que o novo consumidor de tecnologia não engole mais.

É claro que toda marca quer fazer barulho junto ao seu público-alvo, e a forma mais rápida de fazer o seu produto chegar ao grande público é utilizar as personalidades mais populares da internet, além de uma divulgação maciça nos veículos de grande porte. Porém, com o passar dos anos (e escrevendo sobre tecnologia há oito anos), eu percebi que o perfil do usuário de tecnologia não se deixa mais sensibilizar por apenas ter um famoso utilizando o produto de um determinada marca. Quer a opinião daqueles que efetivamente utilizam o produto tal como eles o fariam no dia a dia.

Mais do que isso: querem a opinião de profissionais que não vão mentir para ele sobre essa experiência de uso. Aqueles que vão apontar as qualidades e os defeitos do produto, mostrando os pontos fortes e fracos de um dispositivo. Sim, pois algumas marcas se esquecem que não existe produto perfeito. O produto perfeito é aquele que melhor se adapta às necessidades de cada usuário, e essa sempre é uma escolha muito individual e subjetiva.

Só quem realmente dedica a sua vida a passar diariamente as impressões de um produto de forma mais técnica pode passar a credibilidade que toda marca quer ter junto ao consumidor. Nada contra uma marca buscar a popularidade junto ao público (até porque é uma marca relativamente desconhecida no mercado de smartphones), mas… e depois da venda? Não é melhor fidelizar o consumidor de forma definitiva, com a chancela de quem entende do assunto?

Confesso que não me importei muito com os últimos acontecimentos. Eu mesmo aproveitei meu tempo para ver meus pais no feriado, e de fato não iria participar de evento algum em pleno feriado de páscoa. Aliás, tive uma vantagem considerável ao ficar em um local com internet decente: publicar sobre os lançamentos desse final de semana mais rápido que os demais veículos.

Isso fez com que meus posts ficassem melhor posicionados nos buscadores, além de um maior volume de visitas durante um período onde naturalmente as pessoas ficam mais desconectadas. Acho que, com isso, ganhou todo mundo: eu, com a visibilidade, e a marca, que teve a divulgação que precisa sem precisar sequer me pedir para isso.

Agora, ver que algumas pessoas que recebem benefícios e privilégios para prestigiar uma determinada marca ou produto mostrar claramente que não vai chegar perto de usar o produto a ponto de mostrar a tal credibilidade que o consumidor também busca é algo vergonhoso e preocupante. Vergonhoso para as duas pontas do processo (a marca, que joga dinheiro fora, e a personalidade, que em muitos casos mostra a sua falta de profissionalismo e compromisso com a marca em questão).

É preocupante porque já vi outros fabricantes fazendo o mesmo, e caindo no mesmo erro. Sabe, as pessoas, os consumidores, os verdadeiros fãs de tecnologia sabem quando uma pessoa está ou não utilizando um lançamento. E, mesmo que a desculpa seja alcançar os novos consumidores, que não estão tão familiarizados com essa prática, em um momento futuro o sentimento de empolgação pode se transformar em frustração se essa mesma celebridade passar uma falsa impressão sobre o produto em questão.

Enfim, fica a dica para as assessorias. Quando eu recebo um produto, seja para testes ou até aqueles que ficam em definitivo, eu testo. Intensamente. Porque o que realmente interessa é que os meus leitores fiquem bem informados sobre aquele produto. Nunca fiz diferença entre os produtos que ganhei para aqueles produtos que paguei com o meu dinheiro. Todos foram testados com a mesma isenção. Se não fosse isso, não teria quase 200 reviews nas costas, de produtos de praticamente todas as categorias.

E olha que meu blog é considerado “peixe pequeno”. Imagine se tivesse mais incentivo de quem pode oferecer uma visibilidade maior?