Assim era a primeira câmera digital portátil da Kodak | @oEduardoMoreira Press "Enter" to skip to content
Início » Variedades » Assim era a primeira câmera digital portátil da Kodak

Assim era a primeira câmera digital portátil da Kodak

Compartilhe

É bem irônico saber que a Kodak inventou o produto que basicamente acabou com a companhia, por não entender o conceito e achar que estava muito a frente do seu tempo. De qualquer forma, foi essa a empresa que inventou a câmera fotográfica digital portátil, e a imagem que ilustra este post mostra como foi o primeiro conceito deste produto.

Se bem que não dá para chamar exatamente de “portátil” este primeiro protótipo, mas era o que a Kodak tinha na época. Enfim, vamos conhecer essa importante história da tecnologia de consumo.

 

 

 

Como tudo aconteceu?

A Kodak foi fundada em 1892 por George Eastman e Henry A. Strong. Foi essa empresa que inventou o rolo fotográfico, revolucionando o setor de fotografia por oferecer um recurso mais barato que os cristais de armazenamento fotográfico.

A Kodak barateou o setor de fotografia, permitindo também que as fotos pudessem ser impressas em papel. Dessa forma, dominou completamente o setor no século XX. A empresa estava em basicamente qualquer lugar do planeta, em um negócio tão próspero em como tem hoje Apple e Samsung no segmento de smartphones.

Porém, em 1975, Steven Sasson, um dos engenheiros da Kodak, inventou a primeira câmera digital portátil da história, que é essa da foto deste post. Os principais diferenciais do produto estavam na não utilização de filmes fotográficos para o registro da imagem, dispensando inclusive a impressão da imagem em papel.

Esta primeira câmera “portátil” pesava 3.6 kg, e usava a mesma tecnologia que até hoje está presente nas câmeras fotográficas dos smartphones. Ela contava com um sensor CCD em branco e preto com resolução de apenas 0.01 MP (100 x 100 pixels), que convertia a luz capturada em pixels, registrando tudo em imagens.

As fotos eram armazenadas em uma fita cassete que grava os dados em baixa velocidade, com a foto digital sendo armazenada temporariamente em uma memória RAM. Cada foto era capturada em aproximadamente 23 segundos, algo simplesmente inimaginável para os dias de hoje.

De qualquer forma, é uma revolução tecnológica que não poderia ser desperdiçada por qualquer empresa.

Certo?

Para a Kodak, não foi bem assim…

 

 

 

O que a Kodak fez?

A Kodak até entendeu que sua tecnologia poderia ser o futuro da fotografia, mas achou que o produto poderia demorar muito a ponto de valer a pena investir dinheiro em um negócio como esse. Por isso, decidiu abandonar o desenvolvimento da fotografia digital, e seguiu vendendo rolos fotográficos em quiosques ao redor do planeta.

Afinal de contas, os chefes do Steven disseram para ele uma das frases mais estúpidas do mundo dos negócios como argumento para não seguir em frente no desenvolvimento da fotografia digital:

Quem vai querer fazer fotos que não podem ser vistas em um papel?

Resposta: todo mundo.

Em defesa da Kodak, em 1975 não existiam computadores pessoais, discos rígidos ou telas portáteis. Muito menos os smartphones. Ou seja, não dava para ver as fotos digitais em lugar nenhum e nem mesmo armazenar as imagens em um formato mais eficiente.

Por outro lado, a Kodak ficou com medo em canibalizar o seu próprio negócio, que era vender filmes fotográficos e revelar fotos em papel. Se as câmeras digitais vingassem, a empresa corria o sério risco em fechar as portas.

Tudo o que a Kodak fez foi adiar a sua morte, já que em 2000 chegou ao mercado o primeiro smartphone com câmera digital, o Sharp SH04. Depois disso, tudo mudou para sempre.

Em 2012, a Kodak declarou bancarrota, já que ninguém queria revelar fotos em papel. Hoje, a empresa funciona em outros segmentos, como a indústria farmacêutica e puzzles. Infelizmente, jamais saberemos o que teria acontecido se o projeto original da câmera digital tivesse seguido adiante.

Quem sabe um monopólio da Kodak no setor de fotografia digital.


Compartilhe