A ASUS anunciou na Índia um novo smartphone, o ASUS Zenfone Max Pro (M1). O modelo poderia passar desapercebido, se não fosse por um único detalhe: ele conta com o Android 8.1 Oreo em estado puro, ou seja, com a interface da Google, e sem a ZenUI.

Pode não parecer, mas para uma empresa cujos executivos (OK, o Marcel Campos mais especificamente) pregaram aos quatro ventos a defesa à sua interface Android customizada, tal lançamento, com tal quebra de paradigma, não é pouca coisa.

E tenho certeza que os haters vão ficar gritando por aí “ONDE ESTÁ O SEU DEUS AGORA, MARCEL CAMPOS?” com esse lançamento.

E, no meio da gritaria, esse povo não vai olhar para os detalhes.

Para começar, a ASUS não desistiu da ZenUI. Pelo contrário: o Zenfone 5 e 5Z são muito calcados na interface própria dos taiwaneses, e não existem motivos para a empresa desistir de sua proposta de software, que amadureceu em vários aspectos, oferecendo uma experiência de uso bem interessante.

Depois, o lançamento aconteceu na Índia, em um mercado bem específico e, por enquanto, não deve ganhar entornos internacionais (se bem que seria bem legal ver esse smartphone chegar ao Brasil).

Por fim, há um objetivo claro com esse produto: a ASUS quer bater de frente com a Xiaomi e o sucesso do Xiaomi Mi A1 (e o futuro Mi A2). Afinal de contas, são negócios, meus amigos.

A ASUS sempre deixou claro em várias oportunidades que vai seguir os passos daquilo que está funcionando com outros fabricantes. E o Xiaomi Mi A1 é um verdadeiro sucesso nos mercados emergentes, incluindo no Brasil. A relação custo-benefício é excelente, e o fato de ter o Android puro é um diferencial relevante para esse sucesso.

Aliás, a ASUS oferece diferenciais interessantes com o ASUS Zenfone Max Pro (M1): Snapdragon 636, até 6 GB de RAM + 64 GB de armazenamento e bateria de 5.000 mAh. São itens que mostram uma versatilidade maior do que os dispositivos da Xiaomi, e argumentos fortes o suficiente para ajudar nas vendas do modelo.

Logo, a ASUS fez um movimento friamente calculado. Não deu as costas para as suas convicções, mas oferece uma opção pontual para um público que a empresa quer conquistar.

Pronto. Agora, podem abaixar os decibéis dos gritos.