
Todo mundo entendia que o Xbox Game Pass, serviço de jogos por assinatura da Microsoft que era mais do que consagrado entre os gamers, era barato demais. Inclusive a própria gigante de Redmond. E um aumento nas mensalidades já era previsto.
Mas ninguém poderia imaginar que a mesma Microsoft iria acabar com o Xbox Game Pass Ultimate com um aumento de 99,9% no Brasil. Tá, vou direto dizer que o preço dobrou, pois 0,01% é uma questão meramente retórica neste caso.
O serviço que era considerado “barato demais para ser verdade” agora reflete uma nova estratégia de precificação da empresa. A Microsoft parece ter reconhecido que oferecia um produto premium com valor abaixo do mercado.
O resultado disso é basicamente o fim do Xbox Game Pass, tal e como conhecíamos.
O preço escalonado acabou com um serviço único

Não quero ser ignorante, insensível ou completamente alheio às camadas que tornam o assunto mais complexo do que o reajuste puro e simples.
Bem sei que manter uma estrutura como a do Xbox Game Pass exige uma quantidade absurda de investimentos. E é correto dizer que a Microsoft tem prejuízos com o serviço, pois vender jogos entrega um retorno muito maior.
Aqui, a Microsoft está escalonando os preços de acordo com o aumento de demanda, mas também considera a possibilidade de que o produto Game Pass ainda é muito atraente, mesmo com o forte aumento de preços.
Dá para pensar que a Microsoft deve ter concluído que muitos gamers vão aceitar pagar o dobro apenas e tão somente porque o valor mensal ainda é mais competitivo do que ter que investir em um jogo AAA todos os meses.
O que é de se lamentar neste momento é que o Game Pass, como produto, era algo sensacional, entregando uma excelente relação custo-benefício.
O serviço oferece acesso a jogos de grandes desenvolvedoras desde o dia de lançamento, sem custos adicionais. Títulos aguardados como “Silksong” e “Clair Obscur: Expedition 33” estão disponíveis imediatamente para assinantes.
A mesma Microsoft deixou o Game Pass ainda mais atraente quando decidiu incluir toda a biblioteca da Activision-Blizzard após a aquisição de 68,7 bilhões de dólares, sendo este um dos principais ativos que o serviço possui neste momento.
Sem falar nos jogos próprios como “Indiana Jones and the Great Circle” e “Forza Horizon 6” também chegam direto ao catálogo, desde o primeiro dia de vida dos títulos no mercado.
Convenhamos: é um baita negócio.
O Ultimate combina streaming em nuvem, downloads para console e PC, além de multiplayer online integrado. Nenhum concorrente oferece essa variedade de recursos e jogos recém-lançados em um único pacote.
Justificando o injustificável

É claro que todo mundo reclamou do reajuste. E a gigante de Redmond tentou se explicar sobre as medidas tomadas. Ou tenta justificar o injustificável neste caso.
A Microsoft adicionou o Ubisoft+ Classics ao nível Ultimate, expandindo ainda mais o catálogo disponível. Os assinantes ganham acesso a dezenas de títulos clássicos da Ubisoft sem pagar a mais por isso.
Ou melhor, pagando o dobro no plano, já que os novos preços já estão valendo para os assinantes.
A qualidade de streaming foi aprimorada exclusivamente para usuários do plano mais caro. Tempos de espera reduzidos e melhor performance são diferenciadores em relação ao Premium.
Mas vamos ver como que esse tempo de espera vai se refletir em uma realidade prática. Concordo que investir nessa melhoria exige um pouco mais de robustez financeira, mas é preciso entregar resultados tangíveis na redução de tempo de carga de jogos e na melhor qualidade de imagem para o gamer.
Os pontos no Microsoft Rewards aumentaram para até 100 mil por ano no Ultimate, o que soa como um placebo diante de todas as mudanças que a Microsoft fez E o EA Play também continua incluído no plano Ultimate, mantendo benefícios já estabelecidos anteriormente.
Comparação com a concorrência
O PlayStation Plus ficou menos caro que o Game Pass Ultimate, e a GeForce Now cobra bem menos, mas exige compra separada de cada jogo. O serviço da Nvidia oferece excelente qualidade de streaming, porém não inclui os títulos no preço mensal.
Além disso, o Game Pass permite baixar ou transmitir centenas de jogos sem custos extras.
A proposta da Microsoft permanece superior em variedade, mas o preço agora se aproxima de outros serviços premium. A vantagem competitiva diminuiu com o reajuste substancial.
O dilema das assinaturas digitais
Serviços de streaming de música e vídeo aumentam preços periodicamente, seguindo tendência do mercado. O Game Pass acompanha esse movimento em um cenário onde conteúdo físico perde espaço.
Os usuários não são proprietários dos jogos, apenas licenciam acesso temporário ao catálogo. Essa realidade se torna mais evidente quando os preços sobem significativamente.
O investimento anual de 320 euros equivale ao custo de múltiplas assinaturas de entretenimento. A questão é determinar em qual ponto os consumidores começarão a cancelar serviços.
Reação do mercado
As primeiras reações ao anúncio foram predominantemente negativas nas redes sociais e vídeos oficiais. Assinantes manifestaram descontentamento com a magnitude do aumento implementado.
A Microsoft possui vantagem competitiva que permite testar novos patamares de preço. O catálogo exclusivo e os lançamentos simultâneos criam dependência entre jogadores dedicados.
O valor ainda pode ser considerado justo para quem consome muitos jogos mensalmente. Jogadores casuais, porém, podem reconsiderar a permanência no serviço mais completo.
É o fim do Xbox Game Pass

Ainda não, mas se o produto encerrar as suas atividades no futuro, marcaremos essa data de 1 de outubro de 2025 como “o início do fim” do serviço como um todo, onde a própria Microsoft já terá encontrado outro modelo de negócio que é mais rentável para a empresa.
Que o Xbox Game Pass chegou ao fim, tal e como sempre conhecemos, isso é fato consumado. E o que é pior é que a empresa seguiu “o modelo Netflix de ser”: construiu uma boa carteira de clientes com mensalidades a preços acessíveis, para depois aplicar o aumento de preços para atender aos seus interesses.
Neste momento, muitas pessoas estão considerando a saída do Game Pass, e isso não deve ser surpresa nem mesmo para a própria Microsoft. No fundo, a empresa aposta que muitos já estão fidelizados no plano a ponto de não mais conseguirem viver sem essa plataforma que ainda oferece jogos a preços mais acessíveis do que os títulos em modo individual que são cobrados com valores elevados.
Acontece que R$ 1.200 reais por ano para jogar no Game Pass é um preço elevado demais para aqueles que só querem jogar os seus games no menor preço possível.
E esse valor vai passar a rondar a cabeça de muitos gamers a partir de agora.
Não sei se essa conta vai fechar.
O tempo vai dizer.

