Oracle CEO Larry Ellison Oracle OpenWorld 2011 Keynote

Hoje (13), um dos assuntos mais comentados no mundo da tecnologia foi a polêmica entrevista de Larry Ellison, CEO da Oracle, para Charlie Rose, na CBS. Além de acusar a Google por ser desleal na disputa das patentes de tecnologia, Larry fez um grande exercício de futurologia, afirmando que a Apple tem um “futuro sombrio” sem Steve Jobs como CEO.

Mas… até onde Larry Ellison está com a razão?

Antes de dizer “está tudo perdido, fujam para as colinas”, temos que lembrar que Larry é, antes de qualquer coisa, extremamente passional, assim como qualquer todo grande geek que eu conheço. A diferença entre Larry Ellison e eu (e você) é que ele é bilionário, e empregou toda a sua paixão no seu negócio, o que se converteu em dinheiro, muito dinheiro. Enquanto que eu escrevo esse blog todos os dias, e você lê esse blog de vez em quando.

Por outro lado, não subestimemos Larry Ellison. Ele é um cara que acompanha de perto o mercado de tecnologia, sabe dos movimentos do Vale do Silício, e calcou o seu negócio nesse poder de observação. Tudo bem, o que ele disse sobre a Apple foi algo tão óbvio que qualquer um poderia ter dito (“a Apple com Jobs cresceu, a Apple sem Jobs caiu”). Porém, como é ele quem disse, acaba ganhando um peso maior.

O negócio é o seguinte: o mês de setembro de 2013 é simplesmente decisivo para as pretensões da Apple em se manter como uma gigante no mundo da tecnologia. Sabemos que estão chegando novos produtos (tudo indica que dois novos iPhones logo de cara, e novos iPads em um momento posterior), e o que a junta diretiva da Apple quer de Tim Cook é apenas uma coisa: inovação.

O grande ponto do CEO da Oracle é a força de liderança de Jobs, mas principalmente, a sua capacidade criativa. Jobs era (na visão de Ellison) um “Picasso dos tempos modernos”. Já Tim Cook é apenas um executivo competente (até que provem o contrário). E no quesito inovação, isso faz uma grande diferença.

Além disso, todo mundo viu o que aconteceu com a Apple depois que Jobs foi mandado embora da empresa em 1985, e o que aconteceu depois que ele retornou, em 1997. Jobs, de fato, liderou a grande recuperação da Apple, que durou 15 anos, fazendo com que essa fosse a gigante de tecnologia que é hoje. E não é apenas pelo lançamento de novos produtos, mas sim por vender uma ideia, um conceito. Ousar. Inovar.

Particularmente, não vejo isso em Tim Cook. Mas ainda acho que ele tem duas últimas chances de fazer isso. Em setembro (data especulada para o lançamento dos novos iPhones) e depois disso, ao apresentar ao mundo os novos iPads.

Acho difícil de acontecer grandes inovações nesse momento, mas quero esperar. Porém, se não pintar algo que as pessoas digam “uau, Meu Deus, eu preciso comprar isso para ontem, eu jogo o meu dinheiro na tela do meu MacBook Air, mas nada acontece…” ainda em 2013, acredito que não só os analistas de mercado, mas principalmente, os consumidores ficarão broxados. E é por causa desse sentimento broxante que a Apple registra quedas de vendas nos últimos dois trimestres.

Uma coisa realmente espetacular. É tudo o que a Apple precisa. Se cair na mesmice mais duas vezes, ferrou.