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Essa mulher que você vê nas fotos desse post se chama Zozibini Tunzi. Ela é sul-africana e venceu o Miss Universo 2019 na noite de ontem (08). Historicamente, esse concurso é considerado um dos mais importantes do mundo porque é uma das referências de padrão de beleza universal. E pode parecer banal para muitos de vocês um texto falando sobre essa vitória.

Só tem um detalhe: não é uma coisa banal.

Uma mulher negra e sul-africana vencer o Miss Universo não é uma escolha pontual. É um sinal claro que existe um movimento de mudança de comportamento do coletivo, e uma tentativa de olhar mais objetivo para a quebra de um estereótipo que precisa acabar, até mesmo para estabelecer uma igualdade entre os diferentes.

O fim da chamada “beleza exótica”.

Não dá para considerar um termo tão pejorativo. Enaltecer a beleza do diferente é, de certo modo, uma qualidade. Porém… exótica? Por que exótica? Porque foge dos padrões? E… o que é exatamente a tal “beleza padrão”? Ela existe?

Ao longo da história, o ser humano foi modificando os seus padrões de beleza. Gordo, magro, alto, baixo, quadris largos, seios fartos, genitálias peludas ou depiladas. Os padrões mudaram tanto, que é muito melhor entender que não existe um padrão e nunca existiu. Assim como nós alternamos o prato principal do almoço todos os dias, a humanidade foi abraçando novas formas de ver a beleza nas pessoas.

Chamar de “beleza exótica” o que é diferente do “padrão” é, no mínimo, desconfortável. Estamos falando de pessoas, e não de uma fauna completa em uma floresta. Tanto falam (de forma bem hipócrita, por sinal) que somos todos de uma única raça (a raça humana), para depois dizer que uma negra tem uma “beleza exótica”!

Exótica? Por que?

Boa parte das pessoas não vão saber responder, pois não sabem dizer o que significa a palavra “exótica”. Vale a pena pesquisar no Google o que ela significa e, em função disso, começar a repensar o uso do termo quando vinculado à beleza.

 

 

Beleza é algo subjetivo. Eu concordo. Não precisamos concordar sobre o que é belo ou não. Eu mesmo acho os quadros do Romero Britto algo horroroso e pavoroso, mas tem gente que gosta desse tipo de “obra de arte”. E você pode achar que uma mulher negra não é tão bonita assim. Questão de gosto. Eu respeito.

Agora… tente não chamar de “beleza exótica” aquilo que pode simplesmente ser definido como “beleza”. Eu nem estou considerando a possibilidade de chamar de “beleza negra”, pois isso também é uma forma de separar pessoas pelas características etimológicas, e precisamos derrubar essa barreira verbal.

Eu estou falando de uma mulher bela.

Zozibini Tunzi é uma bela mulher que venceu o Miss Universo 2019.

Sua vitória em um concurso que apresenta ao mundo um padrão de beleza quebra com um paradigma que ainda existe para muitas pessoas que não conseguem enxergar o belo no diferente. Ao mesmo tempo, entrega o empoderamento para outras mulheres que vão se inspirar nas falas de Zozibini, logo após receber a faixa e a coroa:

“Eu cresci em um mundo onde uma mulher que se parece comigo nunca foi considerada bonita. Acho que isso muda hoje. Quero que as crianças olhem para mim e vejam seus rostos refletidos nos meus”.

 

 

Um detalhe importante.

Zozibini Tunzi venceu o Miss Universo 2019 na mesma noite em que o SBT exibiu no Programa Silvio Santos o triste e lamentável fato que o seu apresentador, um senhor de mais de 80 anos, não respeitou o resultado da votação popular, que deu o prêmio de uma competição para uma mulher negra, considerada a melhor pelo público. Senor Abravanel optou por pagar a mais para uma mulher branca, que ele considerou “mais bonita”.

 

 

O que fazer? O canal de TV é dele. O programa é dele. É o gosto dele.

Só podemos constatar que ele está na contramão do mundo. Como toda pessoa com o perfil dele.

Fico feliz em acompanhar a marcha da evolução, caminhando na direção correta.


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