
Bill Gates, que deixou o cargo de CEO da Microsoft há mais de uma década para se dedicar à filantropia, fez uma breve e simbólica volta ao mundo do trabalho. A ocasião foi especial: ele aceitou o convite de sua filha mais nova, Phoebe Gates, para trabalhar por um dia no atendimento ao cliente da startup que ela acaba de fundar.
Em uma publicação no LinkedIn, Gates compartilhou a experiência e ressaltou que, quando uma filha faz esse tipo de pedido, não há resposta possível que não seja um “sim”.
A atitude do bilionário lembra a trama do filme “Um Senhor Estagiário”, protagonizado por Robert De Niro, e demonstra um apoio familiar que transcende o financeiro. Ainda que Bill Gates tenha deixado claro aos filhos, em diversas ocasiões, que não herdariam sua fortuna, ele não se furta a oferecer apoio com conhecimento, experiência e visibilidade.
A startup Phia e o papel de Phoebe Gates
Phoebe Gates, em parceria com a designer e colega de Stanford Sophia Kianni, fundou a Phia, uma plataforma que utiliza inteligência artificial para comparar preços de produtos de moda, novos e usados, em mais de 40 mil lojas online. O objetivo é fornecer aos consumidores uma forma inteligente e econômica de fazer compras.
Segundo a revista Benzinga, a iniciativa foi viabilizada com um investimento inicial de US$ 250 mil vindo de um dos professores de Phoebe em Stanford. Nem Bill Gates nem Melinda French Gates investiram diretamente na empresa, o que reforça o compromisso da família com a autonomia e o desenvolvimento profissional dos filhos.
Apesar de não ter investido diretamente na Phia, o envolvimento de Bill Gates funcionou como uma poderosa estratégia de visibilidade para a startup. A presença de um dos maiores nomes da história da tecnologia serviu para atrair atenção da mídia e do mercado para o novo empreendimento, validando sua proposta com credibilidade.
A atitude também mostra um comprometimento simbólico importante: Bill Gates participou da rotina da empresa desde o atendimento ao cliente, em vez de assumir uma função de direção ou investimento. Para ele, a melhor forma de entender um produto ou serviço é se aproximar dos usuários.
A importância de ouvir os usuários
Gates compartilhou que seu principal aprendizado ao longo dos anos é que ouvir diretamente os consumidores é essencial para entender falhas, aprimorar funções e consolidar um produto de qualidade. Essa postura reforça a relevância do atendimento ao cliente como setor estratégico, mesmo em startups recém-lançadas.
A experiência também serviu como uma mensagem indireta para outros empreendedores, destacando o valor de se colocar no lugar do usuário e vivenciar de perto a experiência oferecida. “Espero não quebrar nada”, brincou Gates, reconhecendo com humildade a importância dessa imersão.
A participação de grandes executivos em funções operacionais não é uma prática comum, mas há precedentes. Um exemplo é Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, que ocasionalmente realiza entregas pelo Uber Eats e atua como motorista da própria plataforma, buscando entender melhor as condições de trabalho dos seus colaboradores.
Essas atitudes aproximam os executivos da realidade de seus serviços e contribuem para uma gestão mais empática e eficiente. No caso de Gates, o gesto ainda traz um componente familiar e educacional importante: demonstrar com a própria experiência o valor do trabalho, da escuta ativa e da construção de um negócio com responsabilidade e visão de futuro.

