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Com a internet, acabou a privacidade. Essa é uma máxima extremista e apocalíptica, mas é uma verdade que muitos afirmam como clara e presente. E se você parar para pensar, não é uma afirmação absurda. Pelo contrário: basta estar uma vez no Google, e pronto: uma coisa vai puxar a outra, e se você não tomar cuidado, os seus dados vão aparecer nos resultados de busca. E fim da história.

Isso pode acontecer até mesmo contra a sua vontade. Com o processo de conversão para o formato digital de alguns órgãos públicos, os documentos convertidos ou produzidos em PDF acabam incluindo informações consideradas sensíveis e altamente relevantes ao cidadão comum, como por exemplo o RG e CPF. Que são, por sua vez, itens suficientes para que gatunos, larápios e desocupados cometam fraudes na internet em seu nome.

Ou seja, não vai ser só o fato de você colocar aquela sua foto bêbado na festa de final de ano da firma no Facebook que fará com que a sua privacidade vá para o saco. A própria estrutura da internet e das ferramentas de busca disponíveis se encarregam de todo o trabalho.

Sem falar no fato de todo mundo ter uma câmera no seu celular, até mesmo os mais simples, e (quase) todo mundo ter uma conta no Facebook hoje. E como cada vez mais as pessoas não se prezam por ter respeito pelas outras (em vários aspectos), aquela seu tranquilo passeio no shopping pode virar um meme. Simples assim.

Bom, você não vai conseguir impedir que as pessoas não saibam mais nada sobre você. Mas pode ao menos dificultar a vida daqueles que querem bisbilhotar os seus dados.

Na Mobile World Congress 2014, o Blackphone, smartphone criado em parceria com a Silent Circle, fez a sua primeira aparição pública. Ele promete devolver (em partes) a privacidade perdida pelo usuário. O telefone não só vai encriptar os dados enviados pelo usuário por e-mail, SMS e outros recursos de conectividade, mas vai enviar essas informações em uma rede segura, para garantir que tais informações não serão vistas pela grande maioria dos gatunos virtuais.

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O smartphone utiliza um sistema operacional próprio (mas baseado no Android), o PivotOS, e o software foi customizado para que garantisse toda essa segurança em várias camadas. Inclusive no que se refere às conexões WiFi desconhecidas, já que essa é uma das principais formas de invasão de dispositivos e captura de dados armazenados.

Além disso, o sistema promete ter um maior controle sobre os aplicativos instalados no dispositivo, gerenciando de forma mais rígida o que o app vai acessar, e quando ele pode acessar tal informação. Sem falar que também será possível a remoção remota de dados em caso de perda ou roubo, e a promessa de atualizações periódicas, sempre com o objetivo de aumentar ainda mais a segurança dos dados do usuário.

Custando a partir de US$ 629, o Blackphone é uma proposta acessível para qualquer tipo de usuário. É claro que o primeiro grupo que imagino usando esse dispositivo é justamente o dos executivos, que se preocupam muito mais com os dados e conversas sigilosas, que podem custar milhões. Mas imagino qualquer pessoa mais preocupada com a sua privacidade utilizando o produto.

Agora… se ele realmente vai evitar que alguém acesse aquele e-mail que você não quer que ninguém veja, essa é outra história. Ao menos me parece que a proposta apresentada é bem séria e consistente. De certo modo, torço para que dê certo. Apesar de entender que, nos dias atuais, privacidade é uma coisa do passado, é bom saber que, se ao menos quisermos tentar, temos uma opção de esconder alguma coisa do mundo.

Mesmo que sejam as fotos do carnaval no Guarujá, bêbado e fantasiado de crossdresser de Inês Brasil.