blogueiro

Eu seguia com a minha vida tranquilamente, quando leio em um grupo de discussão do Facebook em que estou inscrito a seguinte frase:

 

“eu já acho ABSURDO “blogueira” e “influencer” ser “profissão”….”

 

A frase veio de uma assessora de imprensa, provavelmente diplomada na sua atividade. Para ela, quem faz publicações na internet fora da mídia tradicional, em um formato informal, não tem o mesmo valor de um jornalista formado e estudado, ou sequer deve ser considerado um profissional da área de comunicação.

Eu sempre preciso respirar fundo antes de tratar desse tema espinhoso, mas… vamos lá.

Eu escrevo na internet desde 2008. Tenho hoje três blogs, mas já tive mais projetos. Em todos eles, eu trabalhei com a produção de conteúdo de qualidade. A prova disso é que, apesar de todas as dificuldades financeiras e da própria vida (várias mudanças de cidade nos últimos anos), eu consegui manter os meus principais projetos no ar.

Ao longo desse tempo todo, eu participei de alguns dos principais eventos de tecnologia e entretenimento do Brasil. Tive a chance de entrevistar algumas das pessoas mais incríveis que conheci na vida, e que jamais teria a menor chance de conhecê-las se não fosse pelos meus blogs.

Hoje, eu testo e escrevo sobre alguns dos principais lançamentos de tecnologia no Brasil. Participo dos lançamentos desses produtos. Já dei entrevista no Brasil e no exterior sobre alguns dos temas de tecnologia mais importantes dos últimos anos. Já fiz publieditorial para revistas de circulação nacional.

Eu já fiz e faço muitas coisas por causa dos meus blogs. Já conquistei muitas coisas através deles.

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Aliás, eu trabalho todos os dias muito duro para pagar as minhas contas pelos meus blogs. Eu escolhi não ter chefe. Escolhi ser o CEO da minha vida, na íntegra. Investir em mim e progredir pelo esforço do meu trabalho. Passo, em média, seis horas todos os dias diante do notebook. Digitando, editando áudio e vídeo. Produzindo conteúdo que chega à minha audiência de graça. E que, de alguma forma, influencia esse público a tomar a melhor decisão de compra de um produto ou serviço.

Eu sou pago para fazer o que faço. Seja por pagamentos diretos (ações pagas nos blogs) ou por pagamentos indiretos (produtos e serviços, custos de viagem, etc). Eu não tenho vergonha em dizer que adoro quando me pagam para fazer o meu trabalho (sim… TRABALHO), porque eu ainda não consigo pagar as minhas contas com um “legal o seu blog” e um “bom trabalho, adoro seus posts”. Descobri ao longo do tempo que essas frases só massageiam o seu ego, mas não colocam comida na mesa, muito menos pagam a internet.

Eu tenho orgulho do meu trabalho. Orgulho de onde ele me fez chegar, e para onde ainda vou.

Para vir uma “profissional” arrogante, prepotente e cagadora de regras dizer que não tenho uma profissão?

Só para lembrar aos incautos: recentemente, William Waack mostrou claramente que ter diploma não significa muita coisa quando você não tem caráter.

Fica a dica.

Enquanto isso, eu sigo trabalhando. Até porque eu tenho mais o que fazer do que me preocupar com a profissão dos outros.