2 a 0. E está de bom tamanho.

A vitória do Brasil contra o México nas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA Rússia 2018 deve ser comemorada sim. Levando em consideração que vários favoritos já caíram, ainda se manter na competição já é uma conquista. É claro que muita gente vai pensar: “temos a obrigação de passar por cima do México”. Eu concordo. Mas… quem ainda usa papel para alguma coisa nos dias de hoje?

O México é um time bem ajustado, organizado e disciplinado. Uma das coisas que me preocupavam antes do jogo era que esse time mexicano contava com a mesma base que derrotou o Brasil na final olímpica de 2012 em Londres. Além disso, era um time que já tinha dado muito trabalho para a seleção brasileira em 2014 na primeira fase da Copa do Mundo no Brasil. OK, era outro time. Mesmo assim, não seria moleza.

E não foi.

Para muitos, o México surpreendeu ao partir para cima do Brasil. Ao meu ver, não. Eles já estavam com a derrota. Logo, foram atrás da vitória. A obrigação de vencer o jogo era mesmo do Brasil. Jogadores melhores e o favorito para vencer o torneio (ainda mais depois das eliminações de Alemanha, Argentina e Espanha). Por isso, o México foi jogar o seu jogo.

O que surpreendeu positivamente é ver o Brasil também jogando o seu jogo, e mostrando algo que eu ainda não vi no time do Tite no torneio: controle emocional.

O Brasil foi pressionado nos primeiros 20 minutos de jogo, e soube administrar isso. A partir daí, com os nervos no lugar, o time soube aos poucos reassumir co controle da partida, terminou o primeiro tempo melhor, e começou o segundo tempo com intensidade e inteligência. O gol no começo do segundo tempo ajudou bastante, mas ao longo de todo o jogo foi possível ver o Brasil jogando com inteligência. Sem afobação. Algo que é fundamental para um torneio de tiro curto como é a Copa do Mundo.

Esse foi o melhor Brasil nessa Copa do Mundo. Coletivamente, foi o melhor conjunto, com o melhor desempenho. Individualmente, também temos destaques.

William finalmente apareceu para jogar o jogo, e isso beneficiou diretamente ao menino Neymar Jr., que também jogou o seu melhor jogo no mundial (apesar de encenar de novo para forçar uma expulsão de um adversário). Gabriel Jesus também apareceu para a Copa do Mundo, mesmo de forma discreta. Uma pena que Coutinho hoje ficou desaparecido, e Casemiro recebeu o segundo cartão amarelo, e ficará de fora das quartas de final (logo ele que, discretamente, é um dos melhores do Brasil na Copa).

Mesmo assim, houve uma boa e consistente evolução desse Brasil, que tem cara de time que pode chegar longe. É um favorito entre os times que ficaram na competição, apesar de entender que Bélgica e França serão pedreiras enormes a serem superadas.

Por outro lado, tanto Bélgica (que ainda precisa passar pelo Japão daqui a pouco) quanto França começam a ter medo desse Brasil depois de hoje. Não é uma seleção brasileira perfeita, mas é um time que parece que aprendeu a apanhar.

E aprender a sofrer é um dos segredos para aprender a vencer.