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“E os meus passos… nunca mais serão iguais…”

Dê o primeiro passo. E, por favor, deixe as suas dores para trás. O quanto antes.

20 anos depois do lançamento dessa música, eu compreendo perfeitamente o que ela quer dizer. Vivo hoje essas palavras de forma intensa. Como uma filosofia de vida que deve ser lembrada de tempos em tempos. Que não pode ser esquecida, pela minha própria sobrevivência.

Pelo meu direito de seguir com meus passos. Sem olhar para trás.

Herbert Vianna foi perfeito ao fazer de “Busca Vida” uma narrativa alusiva ao protagonista do livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor, ilustrador e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry. Até o videoclipe dessa canção tem essa referência muito clara ao livro no seu enredo. Usou de uma das histórias mais conhecidas de todos os tempos para contar uma história singular, em uma canção que dura menos de três minutos. Até parece que ele previa que esta seria uma pílula de sabedoria para uma geração inteira.

Entendo que todos nós estamos nessa vida em uma jornada em busca de nos mesmos, do encontro da nossa real identidade em algum lugar do caminho, mas sem saber exatamente onde vamos chegar. Durante muito tempo, caminhamos ou corremos por diferentes estradas, pegamos atalhos, observamos as rotas mas nem sempre prestamos atenção nas placas indicando onde devemos virar. E é assim para todo mundo. Pior ainda para uma geração que veio antes do GPS.

Aliás, é preciso lembrar para a geração conectada que a vida em si não tem roteiro, que dirá GPS.

Você pode até planejar, viver seus planos e sonhos, mas a qualquer momento tudo pode mudar. E tudo DEVE mudar. Porque mudar faz parte da vida.

Mas a melhor e, ao mesmo tempo, mais difícil mudança é aquela promovida por nós mesmos.

O ser humano não gosta de mudar. Isso é um fato. Todos nós gostamos da estabilidade dos fatos, da zona de conforto de um mundo inalterado, de viver um mundo relativamente perfeito. Mas muitas vezes, dento da nossa “perfeição relativa”, fechamos os olhos para o que precisamos mudar para dar um passo além. Em momentos específicos, precisamos mudar para parar de sofrer. Para acabar com a dor. Para correr atrás da felicidade.

E esse tipo de mudança ninguém vai poder promover por nós. Ninguém vai poder dar esse passo. A não ser você.

E dar o primeiro passo… ah, meus amigos… isso é tão bom… é tão importante.

Dar o primeiro passo em uma mudança é um ato de muita coragem. Porque esse primeiro passo é para o desconhecido. É um passo para o abismo emocional que enfrentamos a cada mudança. E esse tal abismo se chama “medo”. Enfrentá-lo e sobreviver no final é uma grande vitória.

Na verdade, eu digo: não tenha medo de mudar.

Nos últimos anos da minha vida, eu me tornei um especialista em mudanças. Não tive medo de arriscar, buscar outros lugares e oportunidades. Por muito tempo o medo de mudar limitou minhas ações, a minha capacidade de obter conhecimentos. Me deixou infeliz.

Porém, depois de tantas mudanças, depois de enfrentar tantos abismos, inseguranças e incertezas… ao perceber que eu sobrevivi à tudo isso, eu entendo hoje que quero estar em constante transformação. Mudar o tempo todo me permite aceitar o novo, me abrir para novas oportunidades e perspectivas. Me permite renovar meus sonhos e projetos de vida. Me faz aprender e crescer.

Mudar me permite ser eu mesmo, mas sem ser sempre o mesmo.

“Busca Vida” é simples, porém, perfeita. Fala da beleza da mudança para ser livre. Mudar pelo direito da liberdade de se permitir viajar para outros planetas, conhecer pessoas, lugares e valores. Tal e como o Pequeno Príncipe fez.

Vai além: reforça esse conceito ao descrever claramente que aqueles que focam sua vida apenas nas conquistas profissionais e materiais morrem aos poucos. Que aqueles que valorizam o “ter” no lugar do “ser” chegam ao fim mais rápido.

Eu confesso para vocês que esse é outro grande desafio interno que enfrento hoje. “Pré ocupar” menos a minha mente com as questões burocráticas e funcionais, trabalhar menos, pensar menos e correr menos pelo pão de cada dia. Não estou sugerindo aqui que vou me tornar um preguiçoso ou vagabundo. Mas preciso aprender que, depois de tantas mudanças, você passa a entender e aceitar o fato que você não morre de fome e frio, que as contas serão pagas com o suor do seu trabalho e no tempo certo, e que você é responsável para honrar os seus compromissos…

….mas que nada disso vai valer se você não se permitir aproveitar os momentos da vida que são únicos.

Ouvir com calma aquela música preferida, um cinema ou jantar com alguém especial, dançar de rosto colado, um beijo apaixonado, o sexo ardente, viajar… conhecer novos lugares, caminhar em trilhas inéditas… andar de mãos dadas, conversar olhando nos olhos… o abraço longo e apertado nas chegadas e despedidas.

Hoje eu busco o tempo todo valorizar esses momentos. Não desperdiçá-los porque preciso trabalhar 10 horas por dia, porque tenho que produzir 20 textos por dia, porque preciso preparar vídeos e podcasts.

A minha “Busca Vida” é por não desperdiçar minha vida por conta da luta diária pela sobrevivência.

Mas, de tudo isso, a grande lição que essa canção deixa é que mudar é a melhor coisa que você pode fazer por você.

Mudar é um presente que você pode se dar de tempos em tempos. É de graça, e vai te dar a oportunidade de renascer em vida.

Mudar é a inspiração que move os corajosos para novos passos. É a bandeira de quem busca intensamente caminhar por si, sem medo. E com o desejo de receber o novo.

Mude. Dê o primeiro passo.

E tenha a certeza que os demais passos não serão iguais ao primeiro.

 

 

“Busca Vida”
(Herbert Vianna)
Os Paralamas do Sucesso, 1996


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