Ao longo de quase 10 anos escrevendo sobre tecnologia no Brasil, eu passei por altos e baixos. De tempos em tempos, eu ainda tenho problemas com assessorias de imprensa, mas com o tempo, eu aprendi que não vale muito a pena se expor para fazer barulho. A não ser que você tenha realmente razão.

Minha última bronca com assessoria foi com a história de “pagar para trabalhar”. Eu não entendia direito essa história de “temos o orçamento para enviar o produto, mas não temos para retirá-lo de sua casa”. Na época, disse que não valia a pena pagar para trabalhar pelo simples fato de que eu já estava oferecendo o meu espaço para divulgar o produto da marca de graça, sem cobrar um centavo. Logo, me recusava a ter qualquer tipo de ônus com o empréstimo de produtos.

Eu entendo o trabalho das assessorias de empresas de tecnologia. Entendo que nem tudo é possível ser feito. Entendo que todo mundo que está lá trabalha duro para fazer as coisas acontecerem. Mas entendo também que é o trabalho deles. Se eles recebem salário para divulgar um produto, não quero ser eu que vou abrir mão do direito de não ter despesas para ver o produto dos outros ser divulgado de graça no meu veículo.

Para mim, isso tem muita lógica, e não me vejo sem a razão nesse aspecto.

Porém, em algumas situações, mesmo quando estou com a razão, eu prefiro ficar quieto. Não por medo. Mas porque tais problemas podem ser resolvidos nas internas, sem causar muito barulho.

Recentemente eu tive problemas com uma das assessorias, onde fiquei de receber um produto em um evento, mas o mesmo não estava disponível. Por erro do pessoal da assessoria. O mal estar já havia criado, mas eu sabia que levar esse tipo de problema ao grande público não ia resolver. Logo, vamos buscar outros meios nos bastidores, e partir para a próxima.

Sabe, o problema de não ter certeza da razão ou do que se está falando é justamente em atacar com o achismo. Com a dedução. Sem ter muita base no que se fala. O risco ao erro de avaliação é enorme. Sem falar que você pode atacar aqueles que fazem o mesmo que você. E de forma desnecessária.

Eu sei que é chato não receber produtos de tecnologia, não ser convidados para eventos, ou em alguns casos sequer receber resposta de assessoria sobre a sua possibilidade de ir a um evento. Recentemente eu fui convidado por uma assessoria por e-mail e, como é de praxe, mandei um e-mail sobre as possibilidades da empresa cobrir os custos do meu deslocamento para São Paulo (uma vez que moro no interior do Paraná, e outras empresas fazem isso). E eu sequer recebi resposta da empresa.

Até tentei conversar com um dos responsáveis pela marca, que me segue no Facebook. Mas também não obtive resposta.

Abrir o problema sobre o assunto, sem ter real base dos motivos pelos quais uma assessoria tomou uma decisão é perigoso. Não apenas com a marca em conflito, mas para as demais. É um filme que você pode evitar queimar.

De qualquer forma, sempre é tempo de se aprender. Eu mesmo aprendi com o passar do tempo que o que realmente importa é trabalhar duro e sério. Acreditar nas suas convicções e seguir em frente. Além de ter a certeza que, nesse mundo, cada escolha é uma renúncia. Cada decisão gera uma consequência.

E que a palavra dita na internet não tem volta.

Por isso… “tu te tornas responsável pelo o que falas em um vídeo no seu canal do YouTube”.