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O resgate de uma pequena princesa que, ao longo da vida, terá uma jornada fantástica.

O cavaleiro solitário, montado no seu cavalo, corria contra o tempo, como sempre fez. Mas dessa vez, ele tinha um motivo muito sério para fazê-lo: salvar a princesa Jade, que foi sequestrada por aquela bruxa malvada e sem sentimentos, que apenas queria ver a menina sofrer. E o cavaleiro não podia permitir isso.

O cavaleiro sabia que, no futuro, aquela princesa iria enfrentar desafios fantásticos, enfrentar perigos ameaçadores e, inevitavelmente, enfrentar os seus próprios monstros. Mas nesse momento, ela não precisava passar por isso. Ela tinha que crescer saudável e feliz para que, com o passar do tempo, pudesse aprender a como lidar com esses tais monstros.

Ele também sabia que salvar a princesa naquele momento. Era fundamental para que também a vida do cavaleiro prosseguisse de forma plena. Ele precisava ver a princesa feliz para ser feliz também. Era o objetivo final de toda aquela jornada. De tudo o que ele já havia enfrentado por ela. De tudo o que ele viveu até ali para ver aquele sorriso encantador, que tanta luz entregava ao reino.

O cavaleiro enfrentou a bruxa. Com coragem. Como um autêntico herói, defendeu a vida da pequena princesa, Sem recursos para combater aquela ameaça, enfrentando os seus medos, ele lutou contra aquela bruxa malvada, que simplesmente queria se apoderar daquela criança, apenas e tão somente pelos seus interesses.

Como todo conto infantil, esse teve um final feliz. Naquele momento, o cavaleiro sabia que estava garantindo à princesa que ela teria o caminho seguro para também se tornar uma heroína. Garantiria um futuro promissor para aquele pequeno ser, que estava aprendendo sobre o mundo, sobre a vida, e que poderia sim viver uma vida plena.

E sem aquela bruxa rondando.

O cavaleiro derrotou a bruxa. Porém, ela conseguiu escapar. E ainda fez uma perigosa ameaça: “eu voltarei para pegar a menina… de tempos em tempos, eu voltarei…”. 

O cavaleiro obviamente se preocupa com tal promessa. Porém, entende que o futuro é incerto demais para prever quando exatamente ela voltaria. Logo, eles não poderiam sofrer por antecipação. Rapidamente, se concentrou no presente, e entrou no castelo para encontrar a pequena princesa.

A princesa estava presa em um dos calabouços do castelo. Estava chorando, no escuro, sentindo medo.

O cavaleiro abriu a porta do calabouço, e encontrou a pequena princesa. Quando ela o viu, ela sorriu, e correndo, foi abraçar o seu cavaleiro salvador.

Nesse momento, uma bela luz entrou dentro daquele ambiente. Lá fora, o tempo se abriu, o sol brilhou mais forte no céu, as flores se abriram e os pássaros começavam a cantar.

O cavaleiro sabia que a pequena princesa tinha poderes mágicos. A alegria daquele ser inocente era capaz de transformar o mundo em um lugar mais bonito, florido e ensolarado. A inocente alegria daquela criança combinada com a coragem daquele herói eram fortes o suficiente para que, juntos, eles transformassem tudo ao seu redor, criando uma realidade linda de se ver e viver.

O cavaleiro enxugou as lágrimas daquela criança, que agora chorava de felicidade por ter encontrado naquele valente homem o seu protetor. Ele, por sua vez, estava feliz em reencontrar um propósito pelo qual viver. Um alguém muito importante para proteger. Uma causa pela qual lutar de tempos em tempos.

Ele segurou na mão dela, e a convidou para voltar ao seu reino. A rainha-mãe a esperava com ansiosidade. Todos no reino encantado esperavam para ver de novo o sorriso de alegria da pequena princesa. Pois era esse sorriso que dava a razão de viver para todos naquele reino.

Durante a jornada de retorno, a princesa, montada no cavalo do cavaleiro, pergunta de forma direta: “eu serei feliz daqui por diante, e para sempre?” 

O cavaleiro então lembrou da ameaça da bruxa. Aquilo doeu dentro dele, pois dizer a verdade poderia quebrar o encanto dentro daquela menina. Ele sabia que um dia ela iria descobrir que a bruxa iria voltar para tentar sequestrá-la novamente. Mas até esse dia chegar, ele, o cavaleiro, com a ajuda da rainha-mãe, iria oferecer tudo o que seria necessário para que a própria princesa enfrente a bruxa malvada e a derrote, pelos seus próprios recursos.

O cavaleiro para, pensa um pouco, e responde:

“Pode apostar que sim. Só depende de você”. 

FIM.

Antônio fecha o livro depois de ler essa história. Sua filha Jade ainda não estava dormindo, e olhava com o pai com atenção. Para ela, a história estava incompleta. Ela realmente queria saber se a princesa realmente foi feliz ao longo da vida.

Como um pai sábio e atencioso, Antônio explica para Jade que a bruxa cumpriu com sua promessa. Ela apareceu para a princesa por algumas vezes. E, em algumas oportunidades, a bruxa realmente conseguiu se apoderar da princesa.

Jade então perguntou se o cavaleiro foi salvá-la novamente. Antônio responde que, durante um tempo, sim. Porem, em um triste dia, o cavaleiro perdeu a batalha, a rainha-mãe virou estrela no céu, e ela teve que enfrentar a bruxa sozinha, com as lições que eles ensinaram para ela. Lições valiosas para que a princesa se tornasse uma corajosa heroína, e seguisse seu caminho de forma plena.

A pequena Jade perguntou que lições eram essas.

Antônio olhou com carinho para a filha. Afirmou que foram várias as lições que a princesa aprendeu: o valor da amizade, a importância de uma boa alimentação, sempre ter em mente realizar coisas fantásticas em sua vida, o desejo de dar e receber amor para aquelas pessoas mais especiais…

…e se valer de tudo isso para ser feliz. Para quando a bruxa estiver distraída, usar a felicidade de ter todas essas coisas boas em seu coração para se defender dessa bruxa e escapar. Ou derrotá-la, quando tiver a oportunidade.

Jade não entendeu direito como tais valores poderiam ajudar a derrotar a bruxa. Na sua mente, ela imaginava que a princesa iria usar armas, escudos ou poções mágicas. Ela queria entender onde tudo se conectava com o desejo de felicidade da menina.

O pai olhava para a filha com carinho. Sabia qual seria a próxima pergunta que ela faria.

E Jade questiona ao pai: “Qual é o nome da bruxa?”

Antônio sorri. Entende que, quando a filha faz essa pergunta, tem ali o objetivo alcançado de oferecer para ela a história perfeita. Uma história que a fez pensar sobre tudo o que ela ouviu, e sobre tudo o que está por vir. Uma história que Jade vai carregar em seu coração pelo resto de sua vida.

Antônio mais uma vez olha com ternura para a sua filha. E calmamente diz:

“Ah, a bruxa… ela era tão cruel e malvada, que ela tinha um nome que mostrava como ela era feia, por dentro e por fora. E ela sempre era derrotada, pois a alegria era uma arma poderosa demais para ela enfrentar.


Essa bruxa malvada respondia pelo nome de TRISTEZA.” 

Jade dá uma suspirada. Ela finalmente entendia o que o pai estava tentando lhe dizer.

Pai e filha se despedem. Ele fecha a porta do quarto.

No escuro, Jade pensa na frase: “Tente ser feliz enquanto a tristeza estiver distraída”, e compreende que a felicidade não é uma constante. Que são momentos que vão aparecer. E que eles aparecerão com maior frequência se ela procurar ser feliz em tudo o que fizer. Logo, a felicidade dependia apenas dela, e do seu nobre e amoroso coração.

Jade fecha os olhos sorrindo. Ia dormir com a certeza que a bruxa malvada sempre seria derrotada.

Pois seu pequeno coração já estava repleto de amor, alegria e felicidade.

“Canção Pra Jade”
(Sergio Iódice, Mutinho, Toquinho)
Toquinho, 1997


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