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O Banco Central da China anunciou que vai começar a desinfectar o dinheiro em espécie do país, como parte das medidas para lutar contra a epidemia do coronavírus. Sim, a gente sabe que o dinheiro é muito sujo há muito tempo (uma nota de US$ 1 em Nova York pode conter 397 espécies bacterianas diferentes em sua superfície), mas… lavar dinheiro?

A medida chinesa surpreende. Ao menos até agora, as campanhas contra as enfermidades não deram muito destaque para este aspecto. É uma medida razoável? Até que ponto a moeda é um vetor preocupante de transmissão de enfermidades?

 

 

 

A China não está exagerando nesse caso?

 

 

Não é nenhum absurda a hipótese de ficar doente com dinheiro. No final das contas, o controle bem sucedido de uma doença passa pela identificação de diferentes vetores por trás de sua transmissão. No caso do dinheiro, pouco se pesquisou sobre isso, pois o cobre (e seus efeitos antimicrobianos) fazem o trabalho de limpeza. Mas no caso do papel moeda, as coisas funcionam de forma um pouco diferente.

Há mais de uma década que é sabido que a gripe pode sobreviver muito tempo em uma nota (até 17 dias, de acordo com algumas pesquisas). Mas no melhor cenário possível (ou seja, com muco respiratório) é difícil que o vírus mantenha a sua capacidade de contágio além das 48 horas.

É claro que tudo aqui é teoria. Apesar dos resultados das pesquisas apontarem para uma estabilidade dos vírus em ambientes não biológicos, no caso de uma epidemia, o seu impacto parece ser muito pequeno, principalmente quando todos seguem a recomendação em lavar bem as mãos.

Sem falar nos esforços em retirar do mercado notas em condições ruins e o uso de materiais que acumulam menos bactérias nas notas.

Enquanto isso, o SARS-CoV-2 (nome oficial do coronavírus Wuhan) pode sobreviver algumas horas em meio não-biológicos, mas não sabemos nem como, nem quando, nem por quanto tempo. Logo, a medida pode parecer desproporcionada, mas não irracional.

Para ‘limpar o dinheiro’, a China está submetendo as notas à luz ultravioleta (ou a altas temperaturas) e isolando as notas por algumas semanas antes de devolvê-las ao mercado. Além disso, todo o dinheiro possível será substituído por dinheiro novo nos próximos meses.

 

 

 

Devemos nos preocupar com o dinheiro nosso de cada dia?

 

Centrar os cuidados no dinheiro pode ser algo até contraproducente. Muito melhor é incorporar em nossa prática habitual medidas como vacinar-se, lavar as mãos com frequência ou não esfregar os olhos com os dedos sujos. Tais práticas nos protegem de possíveis infecções de vírus aéreos e de muitos outros vetores espalhados no ambiente.

 

 

Via Channel News Asia, PDFS


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