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Algemaram o Superman! Peraí… algemaram o Superman? Com algemas comuns? Eu não me lembro da última vez que tentaram isso (se é que tentaram isso alguma vez nessa vida). Enfim, ontem (20), eu fui assistir a um dos filmes mais comentados do ano. O Homem de Aço divide opiniões: alguns acham o filme espetacular. Outros acham uma grande porcaria. Eu acho que é um filme do Zack Snyder, que tende a ficar no segundo grupo.

Para começar, me incomoda um pouco a forma de Zack Snyder contar as suas histórias. Até porque as chances dele não contar história nenhuma são enormes. No caso de O Homem de Aço, ele gastou a primeira hora do filme para contar a origem de tudo, apresentar o perfil do herói, os seus medos e motivações, a busca pelo seu passado, e como ele teve um inimigo que ele nem sabia quem era direito (e só ficou sabendo disso depois).

Os últimos 90 minutos do filme… bom, pra quê história, quando podemos destruir cidades em um grande videogame, não é mesmo?

Aliás, o filme em grande parte me lembrou um jogo de tiro ultra elaborado no computador para um console de última geração (provavelmente um Xbox 360). Ok, eu entendo esse movimento: hoje, os videogames dão mais dinheiro que o cinema. Logo, entende-se que, se um filme apresenta uma estética próxima daquela apresentada por um videogame de ação, as chances desse filme ser bem sucedido junto ao público aumentam. Afinal, os públicos são similares.

Porém, não sei se todo grande blockbuster precisa essencialmente viver disso. Em alguns momentos a proposta de Zack Snyder apela tanto para essa vertente que chega a dar dor de cabeça, eliminando toda uma proposta narrativa. Tá, tem gente que adora isso (afinal de contas, “é o Superman, logo, tem que ter porrada e o resto que se dane”). Eu, particularmente, não gosto.

O filme tem alguns problemas sérios de edição. Cenas que mudam de ambiente de forma abrupta, como se houvesse uma certa “pressa” para entregar o produto final, enquanto que outras cenas ficaram deslocadas no meio daquela maluquice toda de combates em alta velocidade. Mesmo assim, não foi isso que me incomodou no filme.

Eu entendo que em um reboot, você queira mostrar a sua versão de uma história que já foi contada no cinema pelo menos duas vezes. Entendo que existem várias histórias nos quadrinhos que recontam a história do Superman. Só não entendo o fato de terem calcado o filme em uma proposta que se tornasse tão rasa e fria em pontos simples.

Sabe, quer fazer “um Superman para adultos”? Beleza. Mas tirar o lado irônico do herói, que é uma assinatura da própria essência humana desse alienígena que, ao longo de décadas, percebeu o quanto o ser humano é irônico? Não sei se funcionou bem. Além disso, quando minha esposa (que não liga muito para a tal “mitologia” de heróis de quadrinhos) pergunta “mas… se o ponto fraco dos bandidos é no capacete, por que ele não ataca diretamente no capacete deles?”, é sinal que o filme tem alguns “pequenos problemas”.

Porque, nesse ponto, eu sou obrigado a responder para minha esposa: “se ele fizer isso logo, não tem mais filme”.

1h30 de destruição de prédios, combates, lutas coreografadas… muita coisa. Tá, eu sei que é isso o que aqueles que estão glorificando o filme (não achei muitos) querem, mas… sério mesmo que temos que basear tudo nisso agora?

Sem falar nas soluções dadas por Snyder para derrotar as ameaças à Terra. Acertar o núcleo da nave principal e ataques suicidas com frases de efeito? Já vi isso em Independence Day. Será que não havia uma solução pelo menos diferente? Tinha que usar o mesmo argumento?

Sem falar no fato que uma civil é “descartável” para o exército norte-americano. Se um alienígena megapoderoso exige que uma humana vá em custódia junto com o Superman, os militares simplesmente vão dizer “podem levar ela”, sem nenhum tipo de resistência. Sério mesmo?

Mas nem tudo está perdido em O Homem de Aço. Henry Cavill foi melhor do que eu imaginava na pela de Superman, e Russell Crowe na pele de um Jor-El “badass” foram pontos positivos do filme. A forma como eles apresentaram a origem desse Kal-El também foi minimamente interessante (apesar de que o filme queima vários estágios, contando toda essa trajetória muito rapidamente)… mas também, foi só isso.

No final das contas, eu nem posso dizer que O Homem de Aço é decepcionante, pois como disse lá em cima, é um filme do Zack Snyder, e eu não poderia esperar menos  que isso. Posso dizer que o filme é um videogame gigante, e mesmo assim, cumpre com o seu papel de alcançar o seu público-alvo (que certamente não sou eu).

Mas uma coisa eu posso dizer: O Homem de Aço está bem longe de ser “espetacular”, como alguns estão pregando aos quatro ventos.

P.S.: se você chegou até aqui, vale lembrar que essa é a MINHA OPINIÃO. Respeito opiniões contrárias (apesar de não concordar com elas), desde que as mesmas não apelem para o menosprezo, xingamento, ou envolvam a minha mãe rodando a bolsinha em alguma esquina do Brasil. Afinal de contas, a bolsa é dela, e ela roda onde ela quiser, ok?