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Como a IA reduz filas e faz você gastar mais nos parques

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A inteligência artificial precisa existir para isso: resolver pequenos problemas cotidianos de forma que os usuários nem percebam que existe um chatbot por trás gerenciando tudo.

E… vamos combinar que não existe uma pessoa viva neste planeta Terra que vai declarar abertamente que “adora ficar em uma fila por horas”, inclusive nos momentos em que a fofoca da pessoa da frente está mais do que picante.

Então… algumas empresas pensaram em fazer você passar menos tempo na fila, com a ajuda da tecnologia mais emergente do momento.

A Disney e a Legoland estão usando inteligência artificial para otimizar o fluxo de visitantes e reduzir o tempo de espera em filas de atrações. Embora os métodos sejam diferentes, o objetivo é o mesmo: melhorar a experiência dos visitantes e, simultaneamente, aumentar o tempo e o dinheiro gastos em outras áreas dos parques.

 

Como a IA está reduzindo as filas?

No caso da Disney, o sistema FastPass+ utiliza algoritmos de IA para prever e redistribuir o fluxo de pessoas nas atrações mais populares.

O visitante pode fazer reservas virtuais por meio do aplicativo My Disney Experience, vinculando-as à pulseira inteligente Magic Band. Assim, ele é notificado no momento ideal para se dirigir à atração, evitando longas esperas.

Já a Legoland emprega um sistema chamado Vision AI, baseado em câmeras espalhadas pelo parque. Essas câmeras analisam em tempo real o número de pessoas em cada brinquedo, permitindo que os gestores façam ajustes imediatos.

Um dos impactos observados foi a adoção da política de single riders, que aumentou em até 30% o número médio de viagens por atração, eliminando espaços vagos.

Essas tecnologias não apenas tornam o passeio mais agradável ao reduzir o tempo em filas, mas também contribuem para que os visitantes passem mais tempo em lojas, restaurantes e outras experiências pagas.

Estudos iniciais mostram que quem utiliza essas soluções digitais tende a permanecer 25% mais tempo no parque e, por consequência disso, essas pessoas tendem a gastar mais dinheiro nas dependências.

Ou seja, estão utilizando a IA para ganhar dinheiro, e não necessariamente pensando no seu bem estar.

 

É claro que a privacidade está em xeque

Não existe almoço grátis neste mundo. E quando algo é de graça, o produto é você (e eu sempre vou repetir esse mantra, até que ele entre na sua cabeça).

Surgem algumas preocupações com a privacidade dos usuários, principalmente no caso da Legoland, que monitora silhuetas humanas por meio de câmeras.

Apesar das garantias de que os sistemas não identificam rostos ou dados pessoais, a presença constante desse tipo de vigilância levanta questionamentos éticos.

A tecnologia tem se mostrado eficaz e está sendo constantemente aprimorada para melhorar ainda mais a experiência nos dois parques, mas o uso da IA para manipular o comportamento dos visitantes, mesmo com boas intenções, não deixa de ser uma estratégia orientada ao lucro.

O desafio agora é encontrar o equilíbrio entre conveniência, privacidade e experiência de entretenimento. Ou tudo o que foi apresentado aqui pode se tornar mais uma denúncia de flagrante violação de direitos individuais no futuro.

Não estou acusando ninguém de nada. Mas juízes ao redor do mundo podem interpretar as iniciativas dessa forma.

Só estou dizendo o óbvio.

 

Via Business Insider


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@oEduardoMoreira