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Como estão driblando a censura online em Cuba

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Diante dos protestos que estão ocorrendo por parte da população, o governo de Cuba decidiu bloquear o acesso dos cidadãos às redes sociais, na tentativa de frear o movimento. Como só não existe solução para a morte, os cubanos se organizaram para driblar a censura online.

Nada está evitando que os cubanos compartilhem em tempo real nas redes sociais e no WhatsApp tudo o que está acontecendo no país. Porém, essa façanha é complexa e envolve alguns sacrifícios que serão descritos neste post.

 

 

 

Como funciona a internet em Cuba?

Só existe uma operadora, a ETECSA (Empresa de Telecomunicações de Cuba), que funciona no país desde 2014 e é controlada pelo governo local. Por isso, o seu controle é muito mais fácil.

E para acessar a internet em Cuba, é preciso usar uma conta Nauta, que também é controlado pelo governo. Essa rede não é codificada (pois não possui HTTPS), para que as atividades de qualquer usuário sejam visíveis para a ETECSA.

Para driblar o bloqueio, os cubanos usam pequenos pacotes de conteúdos digitais que são armazenados em pendrives, onde uma pequena parte da internet está disponível neles.

O problema é que esses pacotes são caríssimos, com preços que variam entre 14 e 74 euros. Além disso, a velocidade de acesso é lentíssima, e a cota mínima de uso conta com 200 MB livres para acesso por 24 horas. Em redes LTE (3G), é claro.

Para ter 4 GB de dados (que é a quantidade média de dados que o brasileiro consome por mês), é preciso abrir mão de 35% do salário mínimo médio do cidadão cubano. Uma pancada.

 

 

 

Como os cubanos estão burlando a censura

A ETECSA pode bloquear os sites que considerar oportuno, principalmente quando são redes sociais. Este bloqueio não é permanente e acontece por acaso.

A solução dos cubanos para driblar o bloqueio está nas redes VPN. Pelo menos 1.5 milhão de usuários da ilha estão conectados ao serviço Psiphon, um dos que mais cresceram no país nos últimos meses. E praticamente todos em Cuba usam pelo menos um serviço de VPN nos smartphones.

O problema é que os serviços de VPN também não são baratos, e até mesmo para contratar os serviços ficou mais complicado, já que o governo cubano bloqueou o recebimento de mensagens SMS que incluem as palavras VPN e Psiphon. E essa é uma medida inédita do governo local.

A melhor forma de driblar o bloqueio via SMS é colocar pontos ou espaços entre as letras. Assim, quem receber a mensagem vai entender do mesmo jeito o que significa aquela palavra.

 

 

 

A revolução é digital, e nenhum governo vai conseguir mudar isso

Os protestos em Cuba só reforçam a teoria que um novo movimento de revolução e luta contra o sistema está emergindo, e é impulsionada pelas redes sociais. A revolução digital que vivemos desde 2000 agora se transforma em cenário principal de batalhas políticas que testemunhamos em todo o planeta.

Espero que o povo cubano consiga reverter um quadro político que dura décadas, e que a internet seja a linha condutora para que essa mudança se torne plena. Se acontecer, será uma lição clara para todo o mundo.

E espero, de verdade, que cada um de nós anote com atenção tudo o que está acontecendo por lá. Pois precisamos aprender alguma coisa com tudo isso.


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