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Como o “efeito camaleão” atua no seu uso do celular

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Não sei se você já percebeu isso, mas quando uma pessoa olha para o celular, outra (ou várias, ou até mesmo você) olha também? Isso é definido pela ciência como “efeito camaleão”, ou gestos rápidos e automáticos que as pessoas realizam para imitar as outras, mas sem se dar conta disso.

Antes que você critique isso, saiba que esse efeito ajudou a espécie humana a evoluir, motivando a interação entre os indivíduos. Agora, de forma paradoxal, esse fenômeno nos separa, já que todo mundo na mesa de jantar está lendo este texto nesse exato momento, 30 segundos depois que você recebeu o link em um grupo do WhatsApp.

Por que isso acontece? Seria a personalidade humana tão frágil quanto um vaso de cristal?

Vamos tentar descobrir.

 

 

 

Não é culpa sua. É uma necessidade

O ser humano é um fruto do meio. E, por conta disso, tem a necessidade de seguir as normas impostas pelas demais pessoas ao seu redor. A repetição de um gesto é uma espécie de homologação da ação, ou uma forma de buscar uma aceitação dentro de um grupo.

Eu sei, isso é péssimo. Mas está em nosso DNA, e não há muito o que podemos fazer sobre isso.

Os smartphones podem aumentar o isolamento social pela interferência e interrupção de atividades, aumentando a brecha digital e social. Traduzindo: quem não tem smartphone está fora do grupo que tem e de todas as coisas que essas pessoas compartilham.

O “efeito camaleão” nos humanos não é válido apenas para o uso do smartphone. Como eu disso, ele está no DNA humano e se reflete em outros comportamentos, como expressões faciais, movimentos nas mãos, tremores nos pés e padrões de fala.

Isso mesmo: você absorve o sotaque de uma outra região sem querer, e isso acontece porque o seu cérebro entende que essa é uma forma de fazer parte do meio em que vive, em busca de uma aceitação inconsciente.

Com o uso da tecnologia, acontece a mesma coisa. O comportamento em consultar o smartphone em qualquer lugar pode ser verificado em experimentos onde usuários “disparadores” pressionavam botões ou deslizavam suas telas de dispositivos, com o seu olhar para a tela ligada.

Resultado: 50% das pessoas analisadas acabavam olhando o seu smartphone 30 segundos depois que a primeira fez isso. Prestar atenção ao telefone acaba desencadeando o mimetismo.

As taxas de resposta foram as mesmas, independentemente da faixa etária, sexo ou nível de relacionamento com a outra pessoa. E tudo isso reforça a teoria do “efeito camaleão” em qualquer cenário. Não importa se é o seu filho de 10 anos de idade ou uma completa desconhecida de 80 anos.

 

 

 

Conclusão

Agora você sabe que, além de ser tóxica a relação que você pode ter com o seu smartphone com várias horas de uso, também sabe que, em muitos casos, tudo o que você está fazendo é o movimento de repetição ao próximo, algo que é inconsciente e involuntário.

E, talvez, a única forma de diminuir a influência do “efeito camaleão” em sua vida é simplesmente deixando o smartphone em casa ao sair para aquele passeio no parque ou jantar com amigos.


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