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Como o YouTube funciona em um PC da década de 1970?

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Quando este post for ao ar, eu terei ainda 43 anos de vida. E comecei a usar um computador de verdade com 8 anos de idade e, ainda assim, foi em uma sala de um Centro de Processamento de Dados de uma faculdade particular da minha cidade natal, Araçatuba (SP). E não porque eu era rico. Só entrei lá a convite de terceiros.

Logo, eu não sei o que é utilizar um computador fabricado no final da década de 1970. Os PCs que utilizei já eram um pouco mais modernos, uma vez que a década de 1980 representou um salto nos produtos de informática bem interessante. Mas consigo imaginar como era a lentidão desses equipamentos.

Se você reclamava do seu PC com HD, imagine em um equipamento que é mais velho do que eu.

Agora… será que o YouTube pode funcionar em um computador fabricado na década de 1970? É isso o que vamos descobrir a partir de agora.

 

 

 

É como se o seu avô quisesse correr uma maratona

Não é algo impossível para o seu avô fazer. Mas pode ser algo bem difícil, dependendo das configurações do PC e do seu avô.

Um computador da década de 1970 tinha dificuldades de realizar tarefas simples para a sua época, como listar o conteúdo de um programa BASIC a partir de sua RAM. Essa tarefa poderia levar vários segundos para ser realizada, e as informações na tela eram atualizadas linha a linha. O que não era um grande problema naquela época, já que os parâmetros de alto desempenho informático ainda estavam em desenvolvimento e definição.

Logo, os videogames que eram lançados naquela época estavam completamente otimizados para aquele hardware, e as pessoas aceitavam isso sem maiores problemas. Por outro lado, só consigo imaginar que os usuários de computadores do passado eram absurdamente pacientes para esperar que poucos objetos sejam manejados lentamente e com movimentos simultâneos.

Hoje, reclamamos muito no Twitter e em fóruns especializados quando jogos como Cyberpunk 2077 chegam ao mercado cheios de bugs e falhas.

Com isso, podemos concluir com muita facilidade que reproduzir qualquer tipo de conteúdo era um martírio para um PC da década de 1970. E isso inclui (obviamente) qualquer coisa que se pareça com um vídeo de movimento completo. No hardware daquela época, reproduzir um vídeo com resolução de 480p seria algo absolutamente impossível… ou era, pois naquele tempo ninguém contava com a mágica de um engenheiro com muito tempo livre e criatividade na cabeça.

 

 

 

Um PC velho na mão e uma ideia muito louca na cabeça

Thorbjörn Jemander conseguiu a façanha de reproduzir vídeos do YouTube em um computador Commodore PET. E conseguiu isso em uma velocidade de reprodução totalmente aceitável de 30 frames por segundo.

Isso foi possível a partir do desenvolvimento de um hardware e um software dedicados com essa missão. Até porque o feito seria impossível de ser alcançado se o Commodore PET não recebesse um pouco de ajuda de um hardware moderno. Neste caso, é uma placa Raspberry Pi Zero 2W conectada à porta de expansão User.

O YouTube é conectado à Raspberry a partir de uma conexão WiFi, carregando o vídeo solicitado pelo usuário na tela. O fluxo de imagem de 640 x 200 pixels em escala de cinza é transformado a ponto de cada fotograma em um quadro de 80 x 25 caracteres, utilizando a ROM original do Commodore PET para se aproximar do padrão estético original deste computador, o que deixa a experiência ainda mais imersiva para o ambiente retrô proposto pelo experimento.

Apesar da complexa tarefa do desempenho da Raspberry Pi para obter o desempenho necessário para realizar toda essa operação de reprodução de imagens via WiFi em tempo real, a parte mais complicada do processo foi introduzir o fluxo de caracteres resultantes na memória de vídeo da PET com suficiente rapidez. E eu nem consigo imaginar como é complexo esse processo (mais: eu não sei o que realmente motivou o nosso protagonista a passar por tudo isso… seria o desejo de tornar possível o impossível?).

De qualquer forma, apenas 16 microssegundos são necessários para processar cada byte de informação pela CPU do PET, o que faz com que este computador execute entre quatro e cinco instruções de código de máquina nesse tempo. Isso é o suficiente para carregar e armazenar um único caractere e saltar para o próximo endereço de memória para repetir o processo.

Tal tarefa só foi possível com uma interface especial com 2 KB de SRAM, que permite o armazenamento dos fotogramas de vídeo tão logo eles estivessem prontos de um lado, e o Commodore PET carregava esses dados no seu ritmo de outro lado.

O resultado desse processo pode ser conferido no vídeo disponível no final do post. E é impressionante em como tudo funciona relativamente bem e com um desempenho mais que aceitável. Inclusive considerando as restrições do conjunto de caracteres deste computador Commodore, podemos dizer que as imagens dos vídeos do YouTube que o computador reproduz são claramente reconhecíveis, com uma velocidade de fotogramas que desafia as limitações impostas pelo tempo do hardware.

Posso não ter toda essa disposição para realizar o mesmo projeto ou algo similar, mas não posso negar que, de alguma forma, essa é uma verdadeira obra de arte moderna. Esse é o tipo de projeto que merece palmas lentas de pé pela genialidade e precisão da iniciativa.


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@oEduardoMoreira