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Criminosos criam rede de internet para extorsão

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O grupo criminoso Los Viagras estabeleceu uma operação sofisticada de extorsão digital em Michoacán, México, obrigando aproximadamente 5.000 habitantes de municípios como Buenavista e Apatzingán a contratar serviços de internet ilegais sob ameaça de morte.

O Los Viagras é um dos grupos criminais que atualmente mantêm uma disputa territorial com o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Começaram a operar entre 2013 e 2014, conformada por dissidentes de Los Caballeros Templarios e La Familia Michoacana. O grupo tem histórico de envolvimento em atividades criminais de alto impacto na região, incluindo homicídios e extorsões diversas.

A organização criminosa oferecia acesso à própria rede Wi-Fi a milhares de pessoas, que eram obrigadas a contratar o serviço a preços excessivos, sob ameaça, gerando receitas estimadas em mais de 115.000 euros mensais.

 

Estrutura tecnológica do esquema criminoso

As chamadas ‘narcoantenas’, como foram apelidadas pela mídia local, estavam compostas de equipamentos roubados e outras peças com as quais os criminosos teriam instalado essas antenas em vários municípios.

A infraestrutura utilizada pelos criminosos incluía antenas e equipamentos subtraídos principalmente da empresa estatal Telmex, em uma série de roubos que afetaram dez municípios de Michoacán no final de 2023.

A rede criminal roubou e inutilizou cabeamento, fibra óptica e antenas de companhias como Telmex e Media Group, gerando interrupções em municípios como Uruapan, Múgica, Apatzingán, Tacámbaro, Zinapécuaro e Salvador Escalante, entre outros.

A estratégia envolvia primeiro sabotar a infraestrutura legítima de telecomunicações para depois forçar os moradores a utilizarem o serviço ilegal.

 

Modelo de negócio baseado em coerção

O esquema funcionava através de um sistema de cobrança forçada onde os criminosos cobravam entre 400 e 500 pesos mexicanos aos residentes que eram obrigados a contratar o serviço. O que faziam era derrubar as antenas das empresas que ofereciam o serviço na zona para obrigar os povoadores a usar suas antenas.

O grupo cobrava de aproximadamente 5 mil pessoas preços elevados de entre 400 e 500 pesos ao mês, estabelecendo um monopólio forçado em territórios sob seu controle.

A Fiscalía General del Estado de Michoacán confirmou que as vítimas eram ameaçadas de morte caso se recusassem a contratar o serviço, embora não tenham sido reportadas mortes relacionadas especificamente a essa extorsão.

Tudo isso faz parte do que parece ser uma tendência: segundo relatórios oficiais, cada vez mais grupos criminais no México não apenas se envolvem com negócios puramente ilegais, como o tráfico de drogas, mas também se envolvem de algum modo em outros mercados legais, neste caso, o de serviços de internet mediante antenas ilegais.

Em 2020, a Reuters documentou como cartéis como Los Zetas se apropriaram de antenas de telecomunicações para criar seu próprio sistema e coordenar entrega de drogas e levar a cabo sequestros ou extorsões.

 

Impacto na população e resposta das autoridades

A operação criminosa afetou diretamente milhares de famílias que se viram obrigadas a pagar por um serviço de qualidade duvidosa e preços inflacionados. A polícia apreendeu o equipamento no final da semana passada, durante operações coordenadas pelas autoridades estaduais.

As afetações foram denunciadas por habitantes de San Juan de los Plátanos, Tepalcatepec e Coalcomán, depois que antenas foram derrubadas e o cabeamento foi cortado.

O caso deixa evidente a crescente sofisticação dos grupos criminais mexicanos e sua capacidade de controlar aspectos básicos da vida cotidiana em territórios sob sua influência.

O uso de infraestrutura de telecomunicações para fins criminais não é novidade no México. No país se estima que este tipo de organizações durante muito tempo tem empregado o uso de antenas clandestinas de rádio e internet para se comunicarem entre eles.

No entanto, a monetização direta desses serviços através da coerção da população civil representa uma escalada significativa.

O caso ilustra como grupos criminais estão expandindo suas operações para setores tradicionalmente legítimos, utilizando métodos de coerção para estabelecer monopólios locais.

A situação em Michoacán pode servir como modelo para outras organizações criminais em diferentes regiões, representando um desafio adicional para as autoridades mexicanas no combate ao crime organizado.

 

Via Milenio


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@oEduardoMoreira