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A Samsung divulgou ontem (07) o resultado preliminar dos seus resultados financeiros relativos ao terceiro trimestre de 2014, relativo aos meses entre julho e setembro de 2014. E esses resultados revelam uma queda de 60% nos lucros da empresa, que veio de um recorde de US$ 10 bilhões de lucros no mesmo período de 2013, para US$ 3.8 bilhões de lucros em 2014.

A pergunta que fica é: a Samsung está em crise? Afinal de contas, é uma queda muito acentuada – mesmo levando em conta que estamos falando de um recorde histórico em 2013 – para uma empresa que está acostumada a ser líder de mercado em vários segmentos, e não apenas no setor de telefonia.

Bom, na minha opinião, ainda não é crise. Ainda. Aqui, é inevitável a comparação com a Apple, que registrou uma desaceleração dos seus lucros nos últimos 18 meses e, mesmo assim, não parou de lucrar. Só está lucrando menos, e é o que vai acontecer com a Samsung daqui para frente.

Motivos para o momento de queda dos lucros dos coreanos não faltam: para começar, o Galaxy S5 não é a ‘última bolacha do pacote’ que a Samsung imaginava que seria. Na verdade, ele já nasceu com várias críticas, desde o design até o continuísmo da proposta. O resultado é um produto com vendas abaixo do esperado pelos coreanos. E a tendência é que isso apenas piore com a chegada dos novos iPhones.

Aliás, esse é o segundo motivo. A desaceleração das vendas dos smarphones da Samsung está também diretamente ligada com a perspectiva de lançamento dos novos iPhone 6 e iPhone 6 Plus. Aliás, esse é um reflexo natural que antecede todos os grandes lançamentos de tecnologia, mas se acentua um pouco mais quando envolve os lançamentos da Apple. É algo que a Samsung já deveria estar acostumada com isso. Os demais fabricantes estão. A ponto de apresentarem seus lançamentos bem antes de novos iPhones, ou imediatamente depois de novos iDevices.

Aí, vem a explicação da Samsung: os elevados gastos em marketing.

A Samsung admite que perdeu muito tempo e dinheiro em campanhas publicitárias dos seus principais produtos ao redor do planeta. Em alguns casos, essas campanhas eram claras cutucadas na Apple – algo que é sempre divertido, e que vou defender sempre, por conta do fator diversão -, algo que nem sempre representa um aumento de vendas.

Tudo bem, eu compreendo que é o marketing pesado da Samsung que faz com que a empresa receba a visibilidade gigante que ela tem hoje, e não apenas no setor de mobilidade, mas principalmente nos eletro eletrônicos. Não estou discutindo se os produtos da empresa são bons ou não (particularmente, tenho alguns aqui, e não tenho do que reclamar), mas sim que o maciço marketing da empresa funciona de forma eficiente para tornar a marca uma das mais conhecidas do planeta.

Porém, isso não é mais o suficiente na galinha dos ovos de ouro da Samsung: o setor de mobilidade.

Agora, a empresa vai apostar na estratégia de oferecer modelos top de linha com elevada qualidade de construção, para elevar os lucros com vendas um pouco mais modestas. É um movimento arriscado: a Sony fez algo semelhante, e se ferrou com prejuízos homéricos. Mas diferente da Sony, a Samsung é a líder do mercado. Pode contar com resultados com impacto mais aprofundado em grande escala.

Além disso, a empresa quer investir mais nos mercados emergentes, onde eles já não vão tão bem nas vendas por diversos fatores (modelos melhores com o mesmo preço, fabricantes menores em mercados localizados, etc).

No final das contas, a Samsung segue líder no mercado mobile, e AINDA não está em crise. Mas o sinal amarelo está definitivamente ligado. Com três trimestres consecutivos de quedas nos lucros, e um Galaxy S5 que não é tão chamativo como os antecessores, os coreanos precisam repensar a sua estratégia, e principalmente, a margem de lucros. É claro que o impacto pode ser menor nos próximos trimestres – por conta de um recorde em um mês atípico -. Mesmo assim, é bom a Samsung ficar de olho, e agir rápido.

Pois nessa vida, tudo o que sobe, desce.


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