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Deadpool 2 (2018) | Cinema em Review

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Vem, monstro!

Você tem que ser um ser muito de mal com a vida para não gostar de Deadpool 2. Ou não entender nada do que viu. Seja como for, se você é uma das pessoas que não gostou do primeiro Deadpool, nem sai de casa para ver o segundo filme. Você já sabe o que vai acontecer.

Bom… mais ou menos. Você não sabe de nada. Quero dizer, se quem gostou do primeiro se surpreendeu com algumas coisas, que dirá quem cai de para-quedas ou detestou o tipo de humor do primeiro filme?

Então, eu repito: quem não gostou do primeiro filme nem precisa sair de casa, e pode parar de ler esse post por aqui.

Agora… se você gostou… corre para o cinema!

 

 

Em linhas gerais, Deadpool 2 é melhor que o primeiro filme, e esse é o objetivo a ser alcançado por qualquer continuação. Logo, tente não ser tão crítico ou levar tudo tão a sério. Mesmo porque nem o filme se leva a sério. Por diversas vezes seus personagens tiram sarro das soluções fáceis e totalmente descompromissadas de coerência de um roteiro que, olhando atentamente, é raso e descomplicado. E de propósito, pois o objetivo do filme é você dar risadas com as situações absurdas apresentadas.

Sendo justo, o roteiro até dá a chance de um certo aprofundamento na personalidade do protagonista Wade/Deadpool (Ryan Reynolds), apesentando conflitos morais que afetam diretamente na motivação para as suas decisões futuras. E, apesar de não contar de forma mais específica as origens de Cable (Josh Brolin), o personagem é apresentado com competência, e as histórias desses dois personagens naturalmente convergem para caminhos comuns.

Mas, como disse, o roteiro é raso. Nenhuma complexidade sobre as decisões dos personagens. Muito fica por conta de suas motivações, onde a grande maioria deles traz dentro de si razões emocionais fortes para assumir seus papeis e suas respectivas personalidades. Por outro lado, isso não quer dizer que não teremos surpresas. Sim, elas existem. Algumas decisões de resolução de conflitos mostra um certo fundo amoral, revelando o melhor e o pior daquelas personalidades.

Agora, deixemos de lado o papo cabeça. Deadpool 2 é bagaceira, e nasceu para ser um filme bagaceira.

 

 

É um filme que, moralmente, quebra todas as regras possíveis e imagináveis. E isso é excelente. A 20th Century Fox tem a coragem e culhões que a Warner Bros./DC não possui, e que passou da hora de ter. A Fox finalmente aprendeu com Logan que precisa perder o medo de contar a história que quer, do jeito que quer. E os dois filmes da franquia Deadpool fazem exatamente isso.

É claro que o segundo filme é muito mais ‘pé na jaca’, uma vez que conta com o respaldo oficial da 20th Century Fox (claro… rendeu um caminhão de dinheiro…), o que deixa tudo ainda mais absurdo e escatológico. O humor físico agressivo, com formas de morte e assassinato no estilo Mortal Kombat de ser, com cenas de luta bem explícitas e referências sexuais pesadas, é explicável por que o filme foi classificado como censura 18 anos no Brasil.

A censura aqui foi aplicada muito mais ao aspecto visual do filme. Muitas cenas de esquartejamentos, mortes violentas, gente tomando tiro a torto e direito, piadas físicas mesmo e vários outros elementos que, ao meu ver, são necessários e mais do que bem vindos para o ambiente ao qual Deadpool pertence.

E a graça do filme é essa: combinar esses elementos visuais e violentos com um humor ácido, um bom ritmo para desenvolvimento da trama, e a ousadia que todo mundo gosta de ver. Com tudo isso, Deadpool 2 funciona e funciona muito bem. Não é um filme que te cansa com o passar do tempo (pelo contrário: passa rápido), tem três atos bem definidos, trabalha bem com os aspectos de ‘lição de moral’ e humor non-sense… é o filme que você espera, com algumas coisas bem surpreendentes que, seu eu contar, dou spoiler do filme.

Mas tem coisas bem agradáveis que aparecem no filme. Algumas bem surpreendentes.

 

 

Sobre o elenco, bem ajustado, bem alinhado. Josh Brolin nasceu para fazer vilões. O cara é muito bom nisso, tem carisma natural e entrega personalidade própria aos seus personagens. E não… você não vai lembrar do Thanos ao ver o Cable. Exceto é claro pelo Deadpool, que faz uma piada sobre isso.

Dominó (Zazie Beetz) é bem aquilo que muita gente esperava. A personagem veio pra ficar, e tem personalidade o suficiente para cair no gosto dos fãs. Talvez algumas pessoas vão sair do cinema com aquela impressão de que ela poderia ter entregue algo mais, mas levando em conta o fato que Cable rouba a cena, ela tem participação efetiva e visibilidade garantida no filme, a ponto dela realmente ser importante para a resolução do conflito principal.

Ter mais dinheiro faz bem para todo mundo, e Deadpool 2 é um filme bem produzido porque tem um pouco mais de dinheiro por parte da 20th Century Fox. Isso resulta em um filme com estética melhor do que o primeiro, e um CGI mais competente.

Do mais, Deadpool 2 é ótimo. Diversão garantida. Repito o que disse em minha conta no Twitter: apenas os mal amados não vão gostar do filme. Tem que ser muito desgostoso da vida ou rabugento a ponto de não gostar de um filme que não se leva a sério, e que propõe ao espectador justamente isso: não levar a vida, nem mesmo se levar tão a sério assim.

É um filme que zoa de todo mundo e se zoa o tempo todo. Simplesmente não se leva a sério. E talvez por isso temos nesse filme um dos melhores de 2018.

Prefiro tomar o esporro sem maiores problemas. Ultimamente, estou querendo mais é ser feliz, não importa a distância percorrida. Logo, Deadpool 2 é sinônimo de felicidade para quem tem espírito livre, e está disposto a entender a proposta geral de ‘zoeira never ends with everybody’.

Se gostou de Deadpool, vai adorar o segundo filme. Se você não gostou, e não vê a hora de pararem de falar nesse filme, meu conselho é que você repense várias vezes sua existência. Muito provavelmente todo mundo vai falar desse filme nos próximos dias.

Ah, e pelo amor de Deus… veja a cena pós-créditos desse filme.

De nada.

 

 


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