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Demorou para a Netflix fazer o óbvio…

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Parece que alguém dentro da Netflix decidiu pensar.

Depois da gigante do streaming culpar os assinantes que dividiam as caras assinaturas do serviço pela queda de usuários e receita, alguns rumores publicados na imprensa dão indícios que existe vida inteligente entre os executivos da empresa, onde um dos principais problemas atuais da plataforma deve ser combatido de forma mais enfática.

E a solução para a Netflix é algo tão óbvio, que chega a doer (principalmente no nosso bolso nos últimos anos), sinceramente. Demorou para a plataforma pensar nessa medida que, se vingar, pode ajudar a convencer alguns assinantes a permanecer na plataforma.

 

 

 

Bom, bonito e barato

Quem dá sinais sobre a existência da vida inteligente na Netflix é o The Wall Street Journal. O periódico tem fontes indicando o fim da era da gastação com alegria e sem qualquer tipo de controle ou responsabilidade na hora de produzir conteúdos para o serviço, com uma mudança de paradigma para o esquema BBB: bom, bonito e barato.

Finalmente, Netflix! Demorou para perceber que a imensa maioria dos seus assinantes contam com uma coisa chamada VIDA, onde muitos deles dedicam a maior parte do seu tempo para trabalhar, com o objetivo de pagar as contas e, por tabela, pagar a cara mensalidade do seu serviço.

Logo, não sobra tempo para assistir a quase 80 estreias de filmes por mês. Isso era algo óbvio, mas nenhum executivo tinha a coragem de reconhecer isso.

Ou seja, a ideia da Netflix passa por lançar menos produções originais, concentrando seus esforços mais na qualidade. O departamento de animação recebeu um grande corte orçamentário recentemente, mas tudo indica que o facão vai passar por outras áreas dentro da empresa.

A prioridade deixa de ser o maior alcance de público possível para beneficiar a relação custo-benefício, ou seja, o número de espectadores x o custo da produção. Isso certamente vai afetar contratos milionários com showrunners de renome, como é o caso de Ryan Murphy, que ainda não emplacou um megahit na Netflix, diferente de Shonda Rhimes, que tem dois gols de placa na plataforma (Bridgertown e Inventando Anna).

A Netflix também pretende reduzir custos com títulos de outras produtoras, em um corte orçamentário que pode chegar a 25%, além dos contratos de longo prazo de direitos de produções de terceiros, que devem passar a receber uma cota fixa e não variável (de acordo com a audiência da produção na plataforma).

 

 

 

Deveria ter cortado na carne bem antes

A mesma Netflix que imaginou que as demais produtoras de entretenimento iriam investir em serviços de streaming próprios não conseguiu imaginar que estava gastando demais em coisas que a maioria dos assinantes nãos e importa em ver.

E esse é o tipo de erro empresarial que considero quase inacreditável.

A Netflix deveria ter tomado essa medida antes do estouro de sua bolha dentro do segmento de streaming. Cortar na própria carne seria muito melhor que culpar assinantes que estavam se virando para pagar as caras mensalidades.

Quem sabe se tais mudanças fossem anunciadas na reunião com os investidores a Netflix poderia evitar que suas ações despencassem. Agora é meio tarde.

Mas… se tais mudanças vingarem, elas serão muito bem vindas por aqueles que ainda vão permanecer no serviço.


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@oEduardoMoreira