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Design ousado da Nothing esconde limitações

A Nothing não é tão conhecida no Brasil simplesmente porque não vende os seus smartphones por aqui. Caso contrário, muito provavelmente os brasileiros iriam amar a marca. Ou talvez não, pois ela não é uma unanimidade lá fora.

Mesmo chamativos por conta da proposta estética, alguns usuários mais exigentes entendem que a Nothing deixa um pouco a desejar, pois a qualidade final dos dispositivos fica aquém do prometido, ou do que é cobrado por eles.

Neste artigo, vou mostrar quais são os principais pontos de reclamação dos usuários da Nothing lá fora, pois se você tem a chance de comprar um produto da marca, ao menos estará ciente do que terá que lidar quando o dispositivo chegar até você.

 

Os diferenciais positivos da Nothing

Os smartphones da Nothing se destacaram no mercado com um design transparente inovador, iluminado pelas Glyph Lights e envolto em uma proposta minimalista que foge ao convencional.

A abordagem visual, que exibe componentes internos e aposta em uma linguagem de design “honesta”, conquistou especialmente o público jovem, que buscava se afastar dos visuais padronizados da indústria.

A interface Nothing OS, baseada no Android puro, é outro ponto elogiado por sua fluidez, leveza e consistência estética, o que posiciona a marca como uma alternativa estilizada a sistemas mais carregados de outros fabricantes.

 

Um sentimento agridoce de limitação

Contudo, por trás da fachada elegante, surgem várias limitações que certamente podem incomodar aos usuários mais exigentes.

Uma das mais recorrentes é a política de atualização considerada insuficiente. Os dispositivos da marca oferecem apenas dois anos de updates de sistema e três anos de patches de segurança, aquém do suporte de quatro a cinco anos fornecido por rivais como Samsung, Google e até mesmo a Xiaomi.

Isso, para mim, seria inaceitável. Quanto maior for o tempo de suporte que um smartphone recebe, maior será o seu valor agregado no mercado.

Outro ponto crítico é o desempenho fotográfico. Apesar de apresentarem um conjunto de câmeras “competente”, os aparelhos da Nothing são frequentemente criticados por ruído em ambientes com pouca luz, faixa dinâmica limitada e cores que variam demais.

Em dispositivos que chegam a custar cerca de €500, o custo-benefício se torna discutível quando comparado com alternativas mais baratas que entregam resultados semelhantes ou superiores.

Sem falar que fotografar é uma das atividades mais realizadas pelos usuários. É o que as pessoas compreendem como item fundamental de interação com o dispositivo para as rotinas cotidianas.

Ou seja, pagar caro para ter uma câmera abaixo das expectativas é algo contraproducente.

A tela AMOLED, mesmo oferecendo uma boa qualidade visual, também apresenta relatos de burn-in (marcas permanentes causadas por elementos estáticos exibidos por longos períodos), algo raro nos painéis de concorrentes.

Recursos experimentais como o carregamento sem fio reverso e os atalhos visuais com glifos também dividem opiniões.

Apesar da proposta ousada, essas funcionalidades são vistas como inconsistentes ou inacabadas, exigindo atualizações frequentes para correção de bugs. Em muitos casos, os usuários acabam por desativá-las devido à frustração com falhas.

 

Vale a pena investir na Nothing?

Diante de tantas ressalvas, os consumidores se perguntam se o diferencial estético é suficiente para justificar o preço cobrado.

O entusiasmo inicial deu lugar à cautela, com uma comunidade dividida entre o encantamento pelo design e a insatisfação com aspectos técnicos e suporte pós-venda.

Leia feedbacks de outros, veja reviews no YouTube e pense bem antes de investir em um produto que pode estar aquém do que você espera ou precisa.

Comprar um dispositivo apenas por uma questão estética chega a ser algo contraproducente.