Trinta e três!

Completo hoje 33 anos de vida. É a idade de Cristo, ou seja, já é uma vida inteira. E, se ao chegar aos 33 eu não mudei o mundo (nem multipliquei os peixes, transformei vinho em água, ou preguei a mensagem de “paz e amor, bicho”), ao menos mudei a mim mesmo, o que já é alguma coisa. Me tornar melhor, viver melhor, pensar melhor, amar melhor, realizar melhor. Se esses não são os objetivos da nossa vida, certamente ela não terá a menor graça. Ou será tão emocionante quanto comer chuchu!

Eu sei que alguns dos meus amigos ainda vão dizer “você é muito novo, tem uma vida toda pela frente”. Eles tem razão. A cada dia que passa, a cada obstáculo vencido, a cada realização, eu vejo que ainda tem muito a ser feito, e que muita coisa está por vir. Boas ou não? Não sei, e essa é a graça da coisa. Aprendi a ver a minha vida como uma grande série, onde escolhi fazer um roteiro e, quando acontece o tal “plot twist”, tento tirar o melhor da situação. Aos 33, você aprende a fazer humor das tragédias da vida, porque percebe que chorar pelas dificuldades apenas te fazem alguém que não está preparado para o que vem pela frente. E, nessa vida, tanto a filosofia Mestre Yoda (“Faça ou não faça. Não existe o tentar”) quanto a filosofia Jack Bauer (“Faço porque precisa ser feito”) estão corretas.

Aos 33, você começa a se preocupar com a saúde. Você se preocupa com pressão alta, úlcera, diabetes, gordura trans, sal, temperos. Come menos, transa menos, gasta mais na academia e no supermercado (com uma alimentação que custa o dobro de uma pessoa que come todas as bobagens que você comia aos 20). Mas você segue em frente. Por que? Porque aos 33 você já tem a plena convicção que o que importa mesmo nessa vida é você se cuidar para se manter ao lado das pessoas que você ama o máximo de tempo possível. Sacrifícios se tornam pequenos diante do objetivo de continuar a viver o sonho de estar ao lado da pessoa mais importante da sua vida. Aliás, aos 33, você não se sacrifica mais. Você se dedica, se empenha, realiza. Toda dor desse mundo é curada com o abraço de alguém que te ama muito. Não se esqueça disso. Jamais.

Aos 33, você já vê o mundo com maior clareza. Você toma decisões mais arriscadas com a certeza que correr riscos pode valer a pena, desde que você acredite em você. A dedicação e o tempo gastp ao seu trabalho não é em vão, desde que você realmente ame o que você faz. E, com toda certeza, eu amo o que faço hoje! Viver do trabalho de tecnologia é algo que eu projetei desde os 16 anos de vida, e saber que metade da minha vida se envolveu nessa área, com bons resultados, é simplesmente espetacular. Poucos conseguem fazer isso. E por causa disso, eu me permito a pensar em projetos mais elaborados. Por causa disso, eu posso pensar no que vou fazer no dia seguinte. Mais: no que quero fazer no dia seguinte. Aos 33, se você trabalhar duro e com muito amor, você consegue fazer o que quiser da sua vida. E se inspira a trabalhar mais e mais.

Aos 33, você não suporta a banda Restart, acha Justin Bieber sexualmente ambíguo, e vê em Michel Teló e Luan Santana verdadeiras provas que você chamou Jesus Cristo de corinthiano na Santa Ceia. Calma! Aos 33, você também se esquece que, um dia, gostou de Menudo e New Kids On The Block. Mas, o fato é que, aos 33, seus olhos e ouvidos estão mais seletivos à arte. Você está pronto para ver o Cirque de Soleil sem dormir, você começa a ver beleza em arte abstrata, e a música passa a ser a sua principal companheira. Jamais desisti da música, porque foi justamente o interesse pela harmonia musical que salvou minha vida. Foi por gostar de música que conheci minha esposa, fiz amigos, criei inimigos, me livrei de falsas amizades e conheci novos horizontes. A trilha sonora da minha vida se torna cada vez mais importante para cada momento da minha jornada. Sem música, minha vida não faz sentido algum.

Aos 33, você conclui que a tecnologia é a sua aliada, e você passa a compreender melhor porque os gadgets e computadores realmente existem. Não existe marca, não existe sistema operacional, não existe nada disso. A beleza da tecnologia é que ela pode tornar a nossa vida melhor e mais simples. Afinal, qual é a graça de ter um mundo onde apenas os nerds cabeçudos que não pegam mulher dominarem computadores, smartphones, tablets? O legal de estar envolvido nesse mundo, é ver pessoas simples e com menor intimidade com os gadgets descobrirem um mundo novo, conectado, eletrônico. E se reinventarem dentro dessas novas perspectivas. Isso me incentiva a me reinventar. Mesmo porque aqueles que persistem sempre no mesmo pensamento, são burros.

Aos 33… aos 33, você está pronto para investir na Bolsa de Valores, a ser amigo do Eike Batista, a ter a Rosana Hermann te seguindo no Twitter, a bloquear os trolls no Twitter. Está pronto para valorizar um passeio no shopping no sábado à noite, a compreender os anseios dos outros pelo olhar (e detectar a falsidade de alguns também pelo olhar), a dar um abraço porque alguém precisa. Sabe detectar sinais. E transformar isso em ações práticas. Aos 33, você é homem pra chamar uma mulher de “gostosa”, sem ferir os sentimentos da sua mulher. Aos 33, você ama sua mulher muito mais do que aos 23.

Aos 33, você olha para trás, e vê que, mesmo com muitos erros e pedras no caminho, você pode dizer que “valeu a pena”.

Um novo ciclo começa hoje. Mais um ciclo, que será completamente diferente de todos os últimos 32 ciclos. Hoje e sempre, eu vou ver esses ciclos como uma história onde os atos e as realizações vão acontecer diante dos meus olhos, refletindo minhas ações, combinadas com o destino. Aos 33, mesmo sabendo que você não se entrega jamais, você olha para o cenário na sua frente, respira fundo, e dá o passo. Aos 33, você termina esse post com os olhos cheios de lágrimas, porque sabe que o melhor presente que você pode dar para você mesmo é a felicidade de poder escrever esse post com o coração aberto, mente sã e com muita fé no futuro.

Por isso, eu digo para mim mesmo hoje…

33!