Parece que nunca vamos deixar de testemunhar os lançamentos dos fabricantes de tecnologia exclusivamente pensados nas mulheres, como smartphones com mais filtros de embelezamento nas câmeras ou um telefone com cores específicas. Mas… esses lançamentos se justificam?

Desde o início do mundo da tecnologia, testemunhamos uma infinidade de dispositivos eletrônicos para as mulheres. Desde os primeiros smartphones do tipo clamshell da Motorola que contavam com um espelho até a atual linha de smartphones ou wearables, o repertório de dispositivos eletrônicos é muito variado.

O futuro Xiaomi CC está centrado nas selfies e nos seus modos de embelezamento, e já vende este como um telefone para as mulheres. Outro smartphone, o Alcatel 3 se baseia diretamente nas especificações, que são muito parecidas com qualquer dispositivo de linha média, mas focado em um público feminino para o seu dia a dia.

Mas nesse aspecto, existem muito mais casos que se valem dos estereótipos para vender mais. Entre eles, o uso do rosa como uma cor relacionados com as mulheres. A amálgama de dispositivos rosas vão de notebooks, smartwatches até smartphones, câmeras ou hub USB. São dispositivos de marcas de grande porte como HP, Apple, Sony ou Razer.

Mas ainda existem mais diapositivos específicos para mulheres, como gadgets inteligentes que ajudam as mulheres a controlar o seu ciclo menstrual ou aqueles mais pensados para ativar ou melhorar a vida sexual.

 

 

Os estereótipos são justificados?

 

Levando em conta o apelo exagerado para dispositivos de cor rosa ou com funcionalidades ilógicas focadas apenas para as mulheres, os lançamentos nesse sentido não param ou diminuem. E em alguns casos, esses lançamentos são um claro apelo comercial que continua a ter peso.

É evidente que, apesar de tudo, o rosa é uma cor muito solicitada por muitas meninas, adolescentes e mulheres. Até aqui, é compreensível que os gadgets utilizem esse apelo que se baseia muito mais na personalização dos dispositivos que na cor específica do produto, que poderia muito bem ser azul, verde ou amarelo. De fato, se queremos viver em uma sociedade mais equitativa, ninguém vai ver como um absurdo uma criança usar um notebook rosa. Porém, ainda falta muito para esse mundo se materializar. Ou pelo menos vai demorar bastante para começar a acontecer enquanto a Damares ainda for ministra dos Direitos Humanos.

Também não é descabido colocar a tecnologia à disposição das mulheres em assuntos tão seus como o ciclo menstrual ou sua sexualidade. De fato, é nesse ponto que a inovação pode jogar um papel essencial na hora de obter mais informações sobre uma pessoa, ou aportar mais conhecimentos à comunidade.

Logo, pouco sentido tem diferenciar um smartphone porque conta com mais opções para deixar uma mulher bonita ou mais potência para que a mesma mulher trabalhe melhor como executiva. Nesses casos, as desculpas para posicionar um produto para mulheres ou para homens mostra um olhar muito parcial para a realidade humana.