As protagonistas desse post estão em destaque no retângulo em preto

Eu preciso aprender mais com essa dupla.

Algumas pessoas saltam aos olhos pela personalidade, gentileza, sarcasmo, falsidade, cara de pau ou pela alegria que transparecem no olhar e nas atitudes. Quando você entra em um coral, você primeiro observa como são as pessoas e como elas se comportam. É quase uma análise sociológica para compreender o ambiente em que você está entrando e, em um momento posterior, se integrar nele, sem abrir mão da sua personalidade, mas se ajustando com o grupo para conviver com as pessoas que já estão nele a mais tempo.

Em 2019, eu estou melhor entrosado no Coral Encantos. Conheço melhor o comportamento das pessoas, compreendo como a maioria pensa e sente sobre o processo de desenvolvimento do canto coral e, de forma inevitável, me aproximei mais de alguns integrantes. Isso foi muito bom para mim, pois acabei me surpreendendo positivamente com algumas pessoas.

E nesse post, eu quero destacar duas “pessoinhas” simplesmente adoráveis.

Dona Rose e Dona Terezinha.

As duas poderiam ser pessoas que você pode encontrar em qualquer coral ou em qualquer local que envolve o trabalho coletivo. Mas eu tenho a baita sorte das duas estarem no mesmo coral que eu estou, o Coral Encantos. E as duas são parte das justificativas que me motivam a continuar nesse projeto.

Não precisamos ficar em um trabalho musical apenas pelos aspectos técnicos. Não pode ser apenas a leitura das notas que nos motiva a fazer música. Eu já falei sobre isso: cantar é muito mais do que ler as notas na partitura. É você se identificar com o que está cantando, e com as pessoas que estão cantando com você.

E, antes de continuar… eu só estou chamando as duas de “Dona” não pelo fato de serem casadas, mas sim como elemento ilustrativo da narrativa; eu particularmente dispenso esse tipo de tratamento com as pessoas, pois respeito e educação nós demonstramos através de atitudes ao conviver com as pessoas.

Dito isso…

No caso da Dona Rose e da Dona Terezinha, até parece um encontro de almas. Para mim, as duas são irmãs a vida toda e não sabem (elas até são fisionomicamente parecidas). E foi curioso em como uma saltou aos meus olhos em função da outra: em 2018, Dona Terezinha, esposa do Seu Roberto (os dois formam um casal incrível: são gentis, educados, simpáticos, divertidos, despachados e, acima de tudo, cariocas, o que engloba os adjetivos anteriores), estava cantando com as contraltos. E estava infeliz lá. Sendo bem sincero, a gente mal se falava por causa da distância entre os naipes.

Já a Dona Rose já estava nas sopranos quando eu entrei no Coral Encantos. Sempre nos cumprimentamos, e ela sempre foi muito gentil, simpática e atenciosa comigo. Tem um perfil discreto, mas tem um olhar que fala mais do que mil palavras. É uma pessoa com conteúdo.

Em 2019, Dona Terezinha teve a autorização para retornar ao naipe dos sopranos. E a primeira coisa que ela fez foi “re-encontrar” a “irmã”, Dona Rose.

Resultado: pelo menos para mim, diversão sem limites.

As duas são verdadeiras molecas soltas em um parque de diversões chamado “ensaio de canto coral nas noites de terça-feira”. Se divertem juntas, fazem piadas internas, se permitem a fazer algumas piadas mais maliciosas (onde é perfeitamente compreensível o contexto das mesmas) e tornam os meus ensaios mais leves e menos sérios. Por causa das duas, eu volto para casa sorrindo um pouco mais. E isso é ótimo em um trabalho coletivo.

Talvez eu preciso aprender com a Dona Rose e a Dona Terezinha. Manter as minhas responsabilidades como prioridade, mas me divertir mais com o trabalho realizado. Não que eu vou virar um bagunceiro nos ensaios, porque eu detesto levar bronca do regente.

Mas trazer um pouco da alegria e da molecagem da Dona Rose e da Dona Terezinha com certeza não vai fazer mal a ninguém.