
A Duolingo anunciou a substituição de parte de seus colaboradores humanos por Inteligência Artificial (IA) generativa, apresentando isso como um passo para ser uma empresa “AI-first”. É uma mudança estratégica que, obviamente, gerou muitas discussões entre os profissionais de tecnologia.
Para a Duolingo, essa é uma mudança que não é apenas técnica, mas sim “fundamental”, pois vai além de uma simples automação de tarefas. A medida sinaliza uma mudança profunda na forma como o valor é criado e na estrutura do trabalho.
O recado dado aqui é bem claro: o ser humano está se tornando dispensável rapidamente, e algumas empresas querem acelerar o processo de substituição em nome de sua própria sobrevivência.
O mais cretino aqui é o Duolingo dizer que “se preocupa muito com seus funcionários”.
Será mesmo?
A dissociação entre valor e contribuição humana
A inteligência artificial demonstra que, em certas indústrias (como a criação de conteúdo educacional), o talento humano pode não ser mais essencial para gerar valor em grande escala. O que era lento e caro, agora pode ser massificado rapidamente pela IA.
Aqui, o Duolingo está redefinindo de forma porca e perigosa a relação entre mérito e valor.
A capacidade da IA de realizar tarefas “bem o suficiente” em grande velocidade e escala pode tornar o trabalho humano obsoleto, mesmo que este seja qualitativamente superior. O diferencial de qualidade humana perde força frente à eficiência da máquina.
Tornar o talento humano algo opcional é algo perigoso quando ainda estamos falando de plataformas que estão se ajustando para entregar resultados de melhor qualidade.
Habilidades e conhecimentos humanos deixam de ser um ativo intrinsecamente protegido, e podem se tornar opcionais se uma máquina puder realizar a função de forma satisfatória e mais eficiente.
Precedente para o futuro do trabalho
A atitude do Duolingo é vista como um prenúncio de uma tendência maior, onde empresas priorizarão a automação e os trabalhadores terão que justificar seu valor competindo diretamente com a IA.
O grande problema desse enorme processo de imposição à automação está nos impactos profundos para os processos que ainda envolvem a criatividade humana. Cenários que eram considerados refúgios da mecanização como, por exemplo, as artes e a literatura, agora estão sendo impactados pela IA generativa.
Isso se reflete hoje no meu trabalho.
Por mais que seja muito interessante entregar um número maior de artigos nos blogs, sinto que meus textos estão ficando totalmente mecanizados e sem vida. Estou perdendo o prazer em escrever, e isso vai prejudicar ainda mais o meu trabalho como produtor de conteúdo.
A situação levanta questões incômodas sobre o lugar do trabalho humano na economia digital e o que define prestígio e relevância profissional quando a excelência humana não garante mais a posição.
Todo mundo sabia que isso iria acontecer, mas muitos negaram a realidade iminente. Para jornalistas e bloggers, os dias estão praticamente contados, pois as redações serão substituídas por plataformas de inteligência artificial, de forma quase inevitável.
Para o grande público, o que importa é a informação, e não o teor dela ou a visão individual sobre aquela notícia. Aliás, ninguém mais se importa com a opinião de um especialista, pois todo mundo já formou opinião sobre algo.
O movimento do Duolingo simboliza não apenas uma mudança tecnológica, mas uma alteração fundamental nas regras que regem a economia e o trabalho.
E, principalmente, muda a forma em como olhamos para a valorização da essência humana na entrega dos resultados de um trabalho de qualidade.
Via LinkedIn

