Don’t Be Evil, Google… please!

Com todos os problemas de segurança e privacidade de dados, as gigantes do setor de tecnologia estão abraçando o mantra do “privado” como se essa palavra fosse uma cachorrinha jogada na rua pelos seus donos ricos em noite de frio. Todas as gigantes do setor estão empenhadas em passar para os internautas a ideia que, agora sim, aprenderam a lição, dando a entender que a privacidade é a palavra de ordem.

Primeiro foi o Facebook, que depois do escândalo com a Cambridge Analytica (e todos os outros que vieram depois, onde foi quase um problema por mês que veio à tona), teve em um Mark Zuckerberg que tentou fazer piada com o tema a afirmação emblemática do “o futuro é privado”.

Como se todo mundo conseguisse esquecer rapidamente tudo o que foi feito com os dados dos usuários ao longo dos últimos anos (há quem diga que, de forma mais direta, desde 2014).

Agora é o Google que, durante a conferência inaugural do Google I/O 2019, reforçou que o seu objetivo maior a partir de agora é a privacidade ou o cuidado com os dados de seus usuários. Logo o Google, cuja principal fonte de capital é a publicidade que, por sua vez, é diretamente conectada aos dados dos seus usuários.

Dados esses que a empresa já demonstrou ter um apetite voraz.

 

 

Bitch, please!

 

 

Quer enganar a quem, Google?

Oferecer novas opções de privacidade para os usuários não é um favor. É uma obrigação. E, mesmo assim, a essa altura do campeonato, o que garante que tais opções protegem esses dados do próprio Google, que vai seguir coletando tudo de alguma forma?

A gigante de Mountain View se valeu do momento onde a “privacidade” é a palavra da moda para promover sua abordagem nesse sentido. Tudo bem, está nas regras do jogo. Porém, o Google se esquece que a tal palavra PRIVACIDADE só está na pauta do dia por causa dos motivos mais errados possíveis.

As mesmas gigantes de tecnologia demonstraram ao longo dos últimos anos uma boa dose de má vontade para proteger esses dados, e agora algumas delas querem surfar na onda dos bons olhos que os usuários podem fazer para aquelas que demonstrarem respeito aos usuários e a esses dados. Não quero dizer que as empresas do mundo tech não são capazes de mudar e estabelecer parâmetros mais edificantes para crescer e obter lucros.

Porém, nesse momento, nada tira da minha cabeça que o Google está agindo muito mais pelo dinheiro que pode perder se não demonstrar boa vontade com a palavra do momento. E nada mais.

De novo: Don’t Be Evil, Google… please!