Eu já imaginava que esse dia ia chegar. Aliás, eu, e todo mundo que, um dia, utilizou o Napster em 2000, mas que hoje, compra músicas pelo iTunes. Pela primeira vez na história, as compras de músicas no formato digital superaram as vendas de música no formato físico (ou CDs). Esse é um tapa na cara das gravadoras, que é mais doído quando a RIAA informa que, pela primeira vez em sete anos, a média de vendas de músicas aumentou. E graças ao formato digital.

Eu não compro CDs desde 2005. Digitalizei todo o meu acervo, e desde então, tenho me virado com diversos MP3 players, streamings de música e media players. Com o passar dos anos, os termos “download ilegal” e “violação de direitos autorais” foram lentamente saindo do dicionário dos usuários e das gravadoras, principalmente pela adoção de novas soluções para consumo de músicas. E não falo só do iTunes, que mudou as regras do jogo em definitivo. Serviços como Last.fm e Spotify beneficiaram os usuários que só queriam ouvir as suas músicas na internet de forma tranquila, sem maiores inconvenientes.

Tudo bem, o assunto está meio velho, mas vale a pena alguns registros. Durante anos, as gravadoras ditaram as regras, com um formato de negócio que funcionou muito bem, até encontrar na internet o principal adversário. Antes disso, os amantes da música ficaram por longos anos presos aos preços abusivos, aos CDs com 10 músicas, que custava mais de R$ 40, e até mesmo o seu artista preferido não tinha o controle exato do quanto realmente vendia na gravadora. Aliás, até hoje a coisa é meio complicada: o ECAD envolvido em escândalos de corrupção, não repassando os direitos autorais de forma correta para os artistas que merecem tais direitos.

Com o advento da internet, o jogo muda de forma drástica. Se quiser, o artista pode lançar as suas músicas no seu próprio blog oficial ou site, e de forma bem simples, ter o controle total de suas vendas. Se quiser uma expansão maior de seu acervo, e com a chance de cobrar um preço justo por suas músicas, ainda existe a opção do iTunes, que fez com que boa parte das pessoas que antes faziam o download de forma ilegal achasse uma boa ideia pagar pelas músicas que vão ouvir.

Ou seja, gravadoras…. o recado é claro para vocês: “Perdeu, Preibói”!

As gravadoras não vão mais ficar com a grande fatia do bolo do lucro, e nem mais usar a desculpa de que esse lucro precisava ser dividido entre o cara do encarte, a tia do cafezinho, o cara que limpa o estúdio e o artista. É claro que as pessoas que citei dependem das vendas e produção musical dos artistas envolvidos, mas nem de longe eles eram os responsáveis pelo encarecimento do processo.

Acredito que os termos “download ilegal” e “violação de direitos autorais” ainda estarão presentes no vocabulário de muitos usuários. Mas com o novo perfil que lentamente se cria (usuários com celulares com player de MP3 integrados, telefones conectados, smartphones, etc), o acesso a esses recursos se torna cada vez mais viável e natural, fazendo com que esse novo grupo de usuários façam os downloads legais de forma mais frequente.

E não sou eu que estou falando. A própria RIAA fala isso. Só no Reino Unido, as vendas de álbuns via download aumentaram 26% em 2011, e singles de muito sucesso, como “Rolling The Deep”, de Adele foi baixado legalmente por mais de 6 milhões de vezes, com mais de 200 milhões de visualizações no YouTube. Isso prova que existe uma nova fase no consumo musical, com um público que tem um perfil novo, com um comportamento de descobrir e consumir essas músicas no ambiente online.

Eu acho isso tudo muito positivo. E acredito que esse perfil só tende a crescer. Quem sabe o que 2012 nos reserva na ára da música online…