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Empatia é liberdade

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“Nunca me perguntaram como era ser eu. Quando eu disse a verdade sobre isso, me senti livre.”

Seria muito fácil começar este texto dizendo que “não é fácil ser eu”. Pois não é mesmo. Assim como não é fácil ser você. E, se eu tenho a consciência disso, quero acreditar que você, que está lendo este texto, também pode ser capaz de despertar essa consciência.

E tudo o que eu escrevi no parágrafo anterior pode ser sintetizado na palavra mais importante de 2020: empatia.

A nossa capacidade em colocar os calçados do outro para sentir onde ele aperta e, por tabela, sentir um pouco da dor daquela pessoa é o que nos torna seres racionais.

Os animais, instintivamente, entendem que é preciso cuidar uns dos outros para sobreviver. O ser humano, não: em teoria, nós racionalizamos sentimentos como amor, ódio, alegria, tristeza, prazer e, é claro, dor.

Raciocinar sobre a dor do outro é ter empatia. Se importar com essa dor, ficar triste porque o outro está triste, se doar para estancar as feridas do próximo. Tudo isso é sinônimo de empatia.

E os últimos meses de nossas vidas deixaram muito claro que empatia é algo que se aprende na prática. Teorizar sobre isso é algo tão fácil quanto mascar um chiclete para resolver um Teorema de Pitágoras. Algo que, por sinal, não serve para comprar dois quilos de carne moída até hoje.

O tempo e a vida me ensinaram a ter empatia pela minha necessidade maior em demonstrar algo a mais para as pessoas, com o objetivo de receber essa mesma empatia com dignidade e sinceridade. Nem sempre isso aconteceu. Seja porque as outras pessoas não entenderam que eu só queria respeito. Ou seja porque eu pisei na bola com alguém.

Mas jamais vão poder dizer que eu não sei o que é empatia.

Afinal de contas, eu passei boa parte da minha vida perguntando coisas como:

“Como você está?”

“Você está bem?”

“Você precisa de ajuda?”

“Como você está se sentindo?”

Algumas pessoas que conheço normalmente não perguntam como eu estou, e acabei me acostumando com isso. Cada um tem o seu jeito de ser, viver e ver o mundo, e este texto não é uma forma desesperada em tentar fazer as pessoas olharem para o mundo ao seu redor com outra perspectiva.

Porém, é impossível deixar de observar em como foi importante para mim o processo em questionar sobre o bem estar do próximo e, sempre que possível, tentar fazer alguma coisa para que o outro se sentisse melhor.

De alguma forma, outras pessoas perceberam essa predisposição em mim em tentar cuidar do outro, na esperança que, um belo dia, eu receberia os cuidados. Tive sorte em encontrar pessoas que queriam cuidar de mim apenas porque sou eu.

Por outro lado, tenho a plena consciência que, no meu caso, falar sobre mim foi algo fundamental para despertar nos outros o interesse pela minha história, demonstrando assim se sou ou não digno de empatia.

Isso me faz pensar que a escolha pela comunicação foi algo natural. Minha necessidade em contar histórias para outras pessoas resultou naquela empatia que eu esperava receber ao longo da vida. E sou muito feliz por isso.

Pode não ter acontecido da forma que eu esperava. Provavelmente não veio das pessoas que eu mais desejava. Mas sei que isso me entregou a liberdade e o privilégio em ter perto de mim as pessoas que realmente estão dispostas a estender a mão, demonstrando a genuína empatia, apesar de todas as diferenças e dificuldades.

Hoje, eu sou um ser humano livre e consciente das minhas responsabilidades em relação aos sentimentos do próximo. E sei que muitas pessoas ainda estão presas aos conceitos, pré-conceitos e convicções que, na maioria dos casos, estão velhas e mortas.

Com sorte, essas pessoas vão se libertar delas mesmas, assim como eu fiz comigo. E, se você precisar de ajuda para essa complexa missão, eu digo:

“Conte comigo. Hoje e sempre!”

 


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