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Eu demorei para escrever sobre Era Uma Vez em Hollywood por pura falta de tempo. Mesmo. Não foi porque eu não entendi o filme (apesar de me reconhecer um ser humano meio burro nesse mundo). Mas como eu estou com um tempo um pouco mais livre, chegou a hora de falar algumas coisas sobre mais um excelente filme de Quentin Tarantino.

O nono filme dele. Depois desse, é o filme de despedida. E a prometida aposentadoria. Ou quem sabe os milhões que rolam em Hollywood fazem com que ele mude de ideia.

De qualquer forma, aposto que esse filme será um dos mencionados entre os indicados ao Oscar 2020, e motivos para isso não faltam.

 

 

E difícil de ver, é arrastado, mas é ótimo

 

 

Era Uma Vez em Hollywood é um filme de contrastes diversos.

Ao mesmo tempo que faz uma grande homenagem à Hollywood da década de 1960/1970, que basicamente inspirou Tarantino a fazer cinema, sua narrativa entrega uma crítica direta à toda a glamourização que essa mesma indústria do cinema recebeu, superdimensionando pessoas que, em muitos casos, sequer tinham talento genuíno para esse ofício.

Também é possível observar o ataque direto à cultura de violência promovida pela TV e cinema da época, onde os filmes e séries focados no western materializavam o estilo americano de resolver tudo na base do tiro. Para Tarantino, isso não só inspirou o seu estilo de fazer cinema (todos os seus filmes contam com mortes explicitamente gráficas), mas também todo um modus operandi do americano médio.

Para Era Uma Vez em Hollywood, a TV e o cinema disseram para o mundo que matar é bom, é saudável e é sinônimo de justiça. O resultado desses ensinamentos é uma sociedade doente, disposta a tudo para resolver os seus problemas emocionais. Inclusive apelando para a violência desnecessária.

 

 

Mas Era Uma Vez em Hollywood não é apenas um convite à reflexão crítica sobre o comportamento humano. É uma aula de cinema nos aspectos técnicos. É um filme muito bem ambientado, com várias referências relevantes de cultura pop da época.

O trabalho de produção é excelente, e todos os elementos colocam o espectador em um cenário do passado, em uma grande viagem no tempo. Tudo isso torna o filme mais crível e imersivo, mesmo que boa parte dos seus eventos sejam ficcionais (uma base argumentativa é baseada em fatos reais, já que Sharon Tate era mesmo a esposa do diretor Roman Polanski; vale a pena pesquisar sobre essa história para ver esse filme).

Era Uma Vez em Hollywood é um filme com uma narrativa lenta e bem detalhada, o que pode dar uma impressão de filme arrastado para algumas pessoas. De fato, você precisa resistir à tentação de cochilar nesse filme. Porém, uma coisa compensa (e muito): o seu elenco.

 

 

A dupla Leonardo DiCaprio e Brad Pitt funciona muito bem. E um filme que conta com um elenco coadjuvante com nomes como Margot Robbie, Timothy Olyphant, Dakota Fanning, Al Pacino e outros sempre acaba enriquecido nesse aspecto. Entregue um texto bom para esse povo e você terá ótimas performances, como é o caso desse filme.

Era Uma Vez em Hollywood não é um filme para todo mundo, mas é recomendado para os fãs de cinema em geral e obrigatório para os fãs de Tarantino. Ele entrega o que se espera desse diretor. São quase 2h30 de uma história que vale o tempo investido.

 


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