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Durante os últimos dias, tivemos mais uma edição da Mobile World Congress em Barcelona (Espanha). A edição de 2016 da MWC foi uma das mais importantes dos últimos anos, uma vez que pelo menos dessa vez nos tivemos dois protagonistas fortes no evento: Samsung e LG, com os seus novos Galaxy S7/Galaxy S7 Edge e LG G5. Esses dois fabricantes (e os demais) contam com um ritmo de renovação de dispositivos que é anual. Porém, os usuários não estão mais acompanhando essa velocidade.

Apenas os geeks realmente convictos e endinheirados trocam os seus smartphones todos os anos. Teve um tempo da minha vida que eu trocava de smartphone a cada seis meses. Agora, esse ritmo desacelerou drasticamente para 18 meses. Basicamente o ciclo de vida imposto pela Google para manter a atualização de um dispositivo, algo que no meu caso já está próximo, já que a Motorola (ao que tudo indica) vai deixar o Moto Maxx abandonado no Android 5.0.2 (apesar do update para o Android 6.0 Marshmallow já estar garantido).

De qualquer forma, não vou falar por mim. Vou falar de uma tendência de comportamento que está atingindo a maioria das pessoas, e nem falo dos heavy users. A maioria das pessoas que eu conheço não estão mais trocando os seus smartphones com a mesma frequência que acontecia em um passado não muito distante. E não necessariamente os motivos estão relacionados à crise econômica que o Brasil passa. Bom, quero dizer, também tem isso. Mas não é o motivo principal.

Para começar, fabricantes e operadoras de telefonia estão oferecendo uma quantidade menor de modelos e alternativas, até mesmo sentindo esse momento de saturação do mercado, onde as pessoas já fizeram os seus investimentos, estão com suas opções feitas, e não pretendem se desfazer delas até que o seu dispositivo fique em um estado semelhante ao que vemos na foto que ilustra esse post. Antes disso, a pessoa vai usar até acabar. O que pode demorar, uma vez que temos smartphones mais resistentes e com melhor qualidade nos materiais.

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Além disso, o usuário médio tem hoje a clara percepção que, nos últimos tempos, os smartphones não avançaram tanto na sua evolução. Sabe, temos melhorias nos processadores, sensores de câmera, na tela, maior quantidade de RAM… mas nada que realmente pontue como diferencial essencial que justifique a troca. A não ser que o seu smartphone foi adquirido em 2012 ou 2013, pois aí você já está pelo menos três gerações defasado na evolução tecnológica, e até mesmo para usar os recursos conectados de hoje você teria a sua vida bem complicada.

A tendência do “eu resolvi esperar” é mundial. Países como Estados Unidos, França ou Grã-Bretanha também observam uma maior vida útil dos smartphones, onde os ingleses são os mais calmos. Por outro lado, dois países viram o seu tempo de substituição cair. Um deles é a China, que depois de um aumento em 2014, voltou a cair para abaixo dos 20 meses em 2015. Isso pode ser explicado pelas recentes aberturas naquele país em relação ao mercado, com a Apple comercializando oficialmente seus produtos no país. Sem falar que aquele é um mercado muito cobiçado por todos, o que estimula a competição e, consequentemente, um maior fluxo de alternativas para o consumidor.

O outro país é a Itália, em um caso mais raro ainda, pois o tempo de substituição de dispositivos está abaixo de 18 meses. Sem uma explicação muito clara do por que isso está acontecendo.

Quem mais sofre com isso são as lojas de vendas de smartphones, que não passam por um bom momento. Não ajuda em nada a notícia da chegada do eSIM (ou SIM virtual), o que deve reduzir ainda mais o fluxo de clientes nas lojas físicas das operadoras, já que não será necessário passar por elas para realizar uma eventual portabilidade. Some tudo isso ao fato que demoramos mais e mais para trocar o nosso smartphone, e o futuro parece ser complicado para esses estabelecimentos.

E você? Quanto tempo está levando para trocar o seu smartphone?