E eu ouço, de tempos em tempos um “eu precisei de médico, advogado e político, mas nunca precisei de um artista.”

OK.

Você nunca precisou de um Roberto Carlos para cantar as palavras que você não mais encontrava em seu vocabulário quando o seu coração estava partido. Você nunca precisou de um Michael Jackson para dançar animadamente o Moonwalker. Você nunca precisou dos Beatles para ensinar a você que “all you need is love”.

Você nunca precisou de uma Beatriz Segall para convencer você que uma megera poderia ser morta pela esposa traída, de uma Aracy Balabanian ou de um Miguel Falabella para rir das coisas de pobre, ou de uma Adriana Esteves para se sentir vingado quando ela apanhou da filha adotiva pelos crimes que ela cometeu… no mundo da ficção.

Você nunca precisou de um Ray Conniff para dançar as músicas do baile da terceira idade, nunca precisou dos Raimundos para gritar “deixa eu falar filha da puta” ou dos Titãs para contestar “quem é que se foda com o que os outros vão pensar.”

Você nunca precisou do cinema para fugir da realidade. Nunca precisou se inspirar em filmes para acreditar que poderia ter uma vida feliz, uma vez que o cinema ensina. Você nunca precisou se sentir melhor depois de rir por 90 minutos com as palhaçadas feitas em uma comédia.

Você nunca precisou da Netflix para assistir filmes e séries durante o final de semana. Nunca vibrou com La Casa de Papel ou Game of Thrones. Nunca precisou ser um ser humano melhor aprendendo com filmes edificantes como O Clube Dos Cinco, A Corrente do Bem e Filadélfia.

Você nunca precisou de nenhum artista para acreditar por algum momento que a vida pode sim ser melhor, apesar de todas as dificuldades apresentadas pelo coletivo. Você nunca precisou de um artista para se aceitar como um diferente em um entorno repleto de diferentes.

Você nunca precisou de um artista. Pois vários artistas salvaram a sua vida por diversas vezes.

É uma pena que você não percebeu isso. Esses artistas sequer receberam o seu aplauso.

Que dirá o seu “muito obrigado”.