Meu sentimento diante de tudo isso é de uma profunda frustração e pesar, por constatar que, em nome de convicções políticas atrasadas e sem bases argumentativas sustentáveis (onde as pessoas opinam com base na cegueira ideológica e na desinformação), seremos obrigados a testemunhar uma das manifestações mais nojentas e asquerosas de nossa história.

Nenhuma ditadura é boa. Nem a de direita, nem a de esquerda. Nenhum regime político imposto, que resultou em violências de todas as espécies, censura, torturas e mortes deve ser celebrado ou comemorado. Enquanto toda a América Latina tenta desmistificar ditadores como Augusto Pinochet, Alfredo Stroessner, Nicolás Maduro e Fidel Castro (que, mesmo com ideologias políticas diferentes, tinham como mesmo fim impor regimes opressores e, em muitos casos, extremamente violentos), testemunhamos o Brasil “celebrando” atos de monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O Brasil é um país sem memória, e faz questão de ter lobotomia coletiva sobre um dos episódios mais tristes da história da nação. Independente do que você pensa (se foi golpe ou não, se foi ditadura ou não), a única forma que esse capítulo deveria ser lembrado é para que todos aprendessem como não fazer.

Para que esse tempo jamais voltasse.

 

 

Eu tenho vergonha de ver amigos, familiares, colegas de profissão e de canto coral, professores e outras pessoas que eu admiro e respeito defendendo essa visão política baseada na cultura de ódio, do preconceito, da redução ao diferente e, principalmente, na cegueira ideológica. Eu realmente quero ver alguns dos professores que eu conheço “celebrando” em 31 de março esse capítulo nefasto de nossa história.

Eu estou com vergonha alheia de todos vocês, que defendem tudo isso que está acontecendo em nome do “vamos acabar com a corrupção no Brasil”. Eu não sei se isso é burrice ou hipocrisia. Só sei que estou me sentindo cada vez mais frustrado por testemunhar o estrago conceitual que vocês causaram.

Não somos mais os mesmos. Nada será como antes.

Agora, somos obrigados a testemunhar a celebração da opressão, do autoritarismo, da violência, da censura. Da morte.

Vocês escolheram isso. Eu não.

Eu lamento por vocês.